Alfredo Cunha

 
 
 





> Código de referência PT/AMLSB/ALF/01/000046

> Data(s) 1970-2005

> Nome(s) do(s) produtor(es)
Cunha, Alfredo. 1953-, fotógrafo


> História administrativa / biográfica

Alfredo de Almeida Coelho da Cunha nasceu em 8 de outubro de 1953, em Celorico da Beira, filho e neto de fotógrafos dessa cidade e da Guarda, com quem teve o primeiro contacto com a arte fotográfica. Aos sete anos, trabalhou com o pai, ainda de modo comercial, a imprimir fotos "tipo passe” e, passados alguns anos, fazia reportagens de casamentos e trabalho de laboratório.

Iniciou a sua vida profissional na agência de publicidade Praxis, em 1970, e, um ano depois, colaborou com o jornal Notícias da Amadora, passando aos quadros dos periódicos O Século e Século Ilustrado, em 1972. Dois anos antes da Revolução dos Cravos, expôs na livraria Opinião e publicou o livro "Raízes da nossa força”, com textos de Maria Helena Augusto das Neves Gorjão (1945-), sobre crianças dos bairros de lata da região de Lisboa, apreendido pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), por conter "incitamento ao levantamento das populações” (NEVES, 2017).

O autor havia já publicado fotografias sobre o bairro da Falagueira, no Notícias da Amadora. Em 1974, publicou a obra "Vidas alheias”, reeditado no ano seguinte. A sua primeira grande reportagem foi sobre o 25 de Abril de 1974, que deu origem à exposição "Portugal livre”, no Palácio Foz, em Lisboa, e na galeria do Casino Estoril. No ano seguinte, fez uma reportagem sobre a descolonização nos países africanos, que se encontravam em processo de independência, e realizou uma exposição na Associação Portuguesa de Arte Fotográfica.

Em 1977, publicou o livro "Disparos”, com poemas de Manuel Alegre. Em 1977, entrou para os quadros da Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) e, em 1982, transitou para os quadros da Notícias de Portugal (NP). O contacto com os países recém-emancipados deu origem a uma outra exposição, designada "Da descolonização à cooperação” (1983), que realizou em colaboração com Luís Vasconcelos, itinerante em vários países africanos. Alfredo Cunha registou o contexto político e social do processo democrático de Portugal, tendo sido designado fotógrafo oficial do Presidente da República António Ramalho Eanes, entre 1976 e 1978, publicou o livro "Sá Carneiro”, em 1981, e foi, novamente, indigitado para fotógrafo oficial da presidência, nos dois mandatos de Mário Soares, de 1985 a 1996. Da colaboração com Mário Soares, resultaram várias obras de autoria singular ou em coautoria, com o Chefe de Estado ou com Luís Vasconcelos.

Em 1987, entrou para os quadros da agência Lusa, expôs na galeria 111, em Lisboa, e, no ano seguinte publicou a obra "Jardins de Lisboa: retrato de Lisboa”, em coautoria com Luís de Vasconcelos e Jorge Lima Barreto. Colaborou na fundação do jornal Público, em 1989, onde foi criada, pela primeira vez em Portugal, uma editora de fotografia, que aplicou um conceito lógico, em conformidade com a linha editorial do jornal. Participou na exposição coletiva "Dois anos de fotografia do jornal Público”, colaborou na obra "Grandes museus de Portugal”, em 1992, e, dois anos depois, publicou, com Eduardo Gageiro e José Antunes, o livro "Lisboa, 25 de Abril de 1974 - Breve roteiro fotográfico”. Publicou igualmente o livro "O melhor café”, com textos de Pedro Rosa Mendes, em 1996, ano em que expôs na galeria Imagolucis (Porto), na Bienal Fotográfica (Leiria) e na Casa dos Crivos (Braga). Após a integração do jornal Público no grupo Edipresse (1997), foi editor fotográfico e, em 1999, desempenhou as mesmas funções no jornal O Comércio do Porto. Em paralelo, no ano de 1997, publicou o livro "Porto de mar”, com Agustina Bessa Luís, Rita Siza e Mário Soares, e expôs na galeria Nave (Matosinhos). Um ano depois, publicou o livro "Norte” e expôs na cadeia da Relação do Porto, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, na Universidade do Minho e na galeria FNAC (Lisboa). Em 1999, publicou o livro "O dia 25 de Abril de 1974”, em coautoria com Adelino Gomes, com imagens que foram expostas nesse ano e, em 2004, no edifício da antiga cadeia da Relação do Porto. Continuou a realizar exposições, em 1999, no Museu da Imagem (Braga) e nas galerias FNAC (Lisboa e Porto).

Foi fotógrafo da revista Focus e participou nos Encontros da Imagem, em 2000 e 2001, foi fotógrafo do projeto NetParque, do Parque das Nações, expôs na Fundação Mário Soares, no Município de Odivelas, na Escola Superior de Educação do Porto, na Mostra da Fotografia Portuguesa (Galiza), na galeria Imagolucis (Porto). Em 2001, publicou o livro "A cidade das pontes”, com David Pontes. Colaborou com Ana Sousa Dias e a RTP2, no programa "Por outro lado”, em 2002, ano em que participou na Exposição Coletiva de Fotografia Portuguesa (Galiza) e publicou a obra "Cuidado com as crianças”. Retomou, nesse ano, as funções de editor fotográfico, desta vez no Jornal de Notícias, e de diretor de fotografia na agência Global Imagens. Publicou a obra "O homem na catedral”, em 2003, em coautoria com Eduardo Melo Peixoto. Em 2010, expôs no Arquivo Municipal de Lisboa e no Paço Episcopal de Faro e, passados dois anos, publicou "A cortina dos dias”. Posteriormente, em 2014, o livro "Os rapazes dos tanques, com texto de Adelino Gomes, saiu do prelo, e outras três obras do autor foram publicadas, de seguida, com um intervalo anual: "Toda a esperança do mundo” (2015), "Felicidade” (2016), "Fátima: enquanto houver portugueses” (2017). A maior exposição retrospetiva da sua carreira foi realizada na Galeria Municipal da Cordoaria Nacional de Lisboa, em 2017, e, no ano seguinte, apresentou, no Museu da Imagem de Braga, a retrospetiva de duas décadas de acompanhamento da Semana Santa nessa cidade. Foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Infante D. Henrique, atribuída em 13 de fevereiro de 1996. Foi profusamente homenageado e distinguido, nomeadamente, com os prémios Pereira da Rosa e Benoliel para o melhor fotógrafo de imprensa, em 1973, vários prémios Fuji e Visão, menções honrosas do Euro Press Photo 1994 e do Prémio Fotojornalismo Visão/BES 2007 e 2008, entre outros.

> História custodial e arquivística

A documentação foi doada à Câmara Municipal de Lisboa, por Alfredo Cunha, de forma faseada, em diferentes períodos cronológicos. Em 1997, doou 203 provas a preto-e-branco, com formatos variáveis. Em 1999, cedeu 14 imagens a preto-e-branco. Em 2010, entregou 3500 imagens digitais e 200 provas de trabalho e de autor. Em 2013, doou 2000 imagens.




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