António Passaporte

 
 
 





> Código de referência PT/AMLSB/PAS

> Data(s) 1940-1960

> Nome(s) do(s) produtor(es)
Passaporte, António. 1901-1983, fotógrafo


> História administrativa / biográfica

António Pedro Carreta Passaporte nasceu em Évora, a 24 de fevereiro de 1901, filho de José Pedro Braga Passaporte, fotógrafo da Casa Real, e de Helena Maria Carreta. Por influência do pai, começou muito cedo a interessar-se pela fotografia. Aos dez anos, foi com a família para Angola, devido à tensão social e política que existia, na época, em Portugal. Regressou a Évora aos dezasseis anos, continuando os estudos em Lisboa, na escola Ferreira Borges. Nesta cidade, aproveitou o contacto com pessoas ligadas ao mundo do espetáculo, para participar em algumas peças de teatro e no cinema. Mas o seu verdadeiro interesse era a fotografia.

Considerado irreverente, impetuoso e irrequieto, sempre pronto para novas experiências, António Passaporte foi para Madrid, em 1923, iniciando a carreira de fotógrafo, nos Laboratórios Cinematográficos da Madrid-Films. Em 1927, casou com Gregória Blanco, irmã do seu patrão, nascendo, no mesmo ano, o seu filho Rodolfo. Posteriormente, trabalhou na empresa francesa Charles Alberty, como vendedor de papéis fotográficos, onde aprendeu as novas técnicas de fotografia. Viajou em trabalho por muitos locais, Espanha e Argentina, principalmente, aproveitando para fotografar paisagens, edifícios e monumentos.

Muitas destas fotografias foram adquiridas pelo Ministro da Cultura e Turismo espanhol, o general Primo de Rivera, que decidiu publicá-las, na forma de postais ilustrados, para propaganda turística do país. O fotógrafo assinava, então, os seus trabalhos, com o pseudónimo Loty. Como consequência da guerra civil espanhola (1936-1939), a firma onde trabalhava encerrou, ficando desempregado. Esta situação aproximou-o dos ideais comunistas, alistando-se nas brigadas internacionais, como repórter fotográfico, integrando o 5.º regimento das tropas comandadas pelo oficial Lister. Ficou conhecido como o "pequeno moreno” mas, por questões de saúde, deixou de integrar missões de caráter militar, ficando com funções de repórter fotográfico, no serviço de transmissões do Exército Popular Espanhol. Com o fim da Guerra Civil, regressou a Lisboa. Sempre dedicado à fotografia, retratou a Exposição do Mundo Português, em 1940, cujas fotografias foram editadas em postais ilustrados, fazendo um enorme sucesso. António Passaporte era considerado um profissional rigoroso e exigente, que executava, ele próprio, a maioria do trabalho do processo fotográfico, ao invés de delegar determinadas tarefas.

Na década de 1940, efetuou um levantamento fotográfico do país, utilizando tecnologias de vanguarda., criou um sistema com tripé, para colocar no tejadilho dos veículos, de forma a poder captar planos que providenciassem melhores fotografias. Dividia o tempo entre as viagens por vários locais, geralmente realizadas ao fim de semana, na companhia do filho Rodolfo, e a execução, no laboratório, das imagens captadas. A sua última reportagem fotográfica foi relativa à cidade da Covilhã, em 1961, passando, de seguida, para a fotografia de palácios nacionais. A partir de 1965, deixou de exercer a atividade fotográfica, porventura, devido à concorrência, cada vez mais intensa, que se fazia sentir no setor, bem como pela suposta dificuldade em acompanhar a evolução tecnológica, apesar de ter mudado a técnica de produção dos seus postais, para a impressão a cores, tendo encerrado a sua empresa Fototécnica Loty. Nos últimos anos de vida, António Passaporte escreveu as suas memórias, sobre a guerra civil espanhola, falecendo a 18 de fevereiro de 1983.


> História custodial e arquivística

A documentação foi adquirida pela Câmara Municipal de Lisboa, a António Passaporte, de forma faseada, em diferentes períodos cronológicos. Em 1945, o primeiro conjunto documental foi entregue por António Passaporte. Em 1997 e 1998, foi adquirida documentação a Rodolfo Passaporte e, em 1999, a Helena Passaporte.




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