Eduardo Portugal

 
 
 





> Código de referência PT/AMLSB/POR

> Data(s) 1919-1950

> Nome(s) do(s) produtor(es)
Portugal, Eduardo. 1900-1958, fotógrafo e colecionador


> História administrativa / biográfica

Eduardo Macedo d’Elvas Portugal nasceu em Lisboa, a 26 de fevereiro de 1900, filho de Adelaide Alexandrina Macedo (1846-1915) e de José d’Elvas Portugal (1840-1897), no seio de uma família de comerciantes abastados, estabelecida em Lisboa desde o final do século XIX. Aos sete anos, começou a frequentar a Escola Académica de Lisboa, concluindo os estudos primários, em 1911, e o curso comercial, em 1915, com distinção. Iniciou a vida profissional como arquivista no Banco Portuguez e Brasileiro, situado na rua Augusta n.º 34. Em 1932, já no exercício do cargo de arquivista-chefe, o banco encerrou, e Eduardo Portugal foi trabalhar com o pai, na chapelaria da família, Portugal & Diniz, na rua Augusta n.º 181-183. O seu interesse pela fotografia começou a concretizar-se em 1919, segundo registos do próprio, num pequeno livro, contendo imagens, em formato 6 x 9 cm, que documentam reuniões de família, retratos, viagens, paisagens, monumentos, devidamente identificadas, datadas e com informação técnica relativa ao processo fotográfico (tempo de exposição e controlo de qualidade). Eduardo Portugal reservava os seus tempos de fruição, nos períodos de férias e de fins de semana, para se dedicar à arte fotográfica, em viagens que fazia pelo país, entre finais da década de 1920 a 1940, recorrendo aos materiais de divulgação turística mais atualizados, para planear as suas viagens ao estrangeiro, que solicitava às entidades francesa, inglesa, belga e espanhola.

A atividade fotográfica que o autor desenvolveu na década de 1920 intensificou-se, consideravelmente, nas três décadas seguintes, por todo o país, documentando, não só, o património histórico edificado, como também as tradições populares locais, com fotografias que remetia às comissões de iniciativas de turismo, das respetivas câmaras municipais, propondo a sua publicação. Neste âmbito, recebeu também encomendas do Conselho Nacional de Turismo, do Conselho de Turismo da Comissão de Propaganda de Portugal no Estrangeiro e do Secretariado de Propaganda Nacional. Editou coleções de postais ilustrados e elaborou brochuras com imagens, acompanhadas de textos de sua autoria, promovendo o país nas casas de Portugal em Londres, Antuérpia, Paris e Rio de Janeiro. A livraria Bertrand, SARL, a parceria A. M. Pereira e a casa Nells editaram álbuns e coleções de postais com imagens suas. Colaborou igualmente com várias publicações, editoras e agências portuguesas e estrangeiras, com a publicação de alguns dos seus trabalhos, de que são exemplo: a revista Civilização, a Editorial Enciclopédia, o boletim da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, a revista espanhola Oásis, a livraria Hachette, a agência austríaca Viena, a revista brasileira Vida Doméstica (1936) ou as agências francesas Maison de la Bonne Presse e a parisience F. Le Bourgeois, da qual passou a ser representante em Lisboa. O espírito empreendedor de Eduardo Portugal, aliado aos conhecimentos de arquivística, adquiridos anos antes, em funções na instituição bancária, levou-o a propor a constituição de arquivos fotográficos, tanto no Conselho Nacional de Turismo (1932), como no Museu Municipal de Sintra (1942) e no Grupo de Amigos de Lisboa (1952).

A sua atividade artística estava intimamente associada à promoção de produtos comerciais e industriais e, para além da fotografia e do colecionismo, dedicava-se ao desenho de cartazes, menus, objetos típicos, assim como à criação de embalagens de doces regionais. No âmbito culinário, colaborou com Emanuel Ribeiro, na obra "O doce nunca amargou”, de 1928, e numa reedição da obra "Arte de cozinha”, de 1794, da autoria de Domingos Rodrigues. A qualidade das imagens e os temas retratados, em torno de Lisboa, foram reconhecidos no âmbito municipal, pela publicação de fotos em periódicos e monografias, no boletim cultural da Câmara Municipal de Lisboa (1937), na Olisipo, no boletim do Grupo Amigos de Lisboa, nas obras "Parque Eduardo VII. Estufa-fria” (1936), "Guia de Lisboa” (1941) e em catálogos de numerosas exposições, organizadas pela Câmara Municipal de Lisboa, em que participou como fotógrafo e/ou colecionador. A 7 de junho de 1940, foi admitido como sócio n.º 1000, no Grupo Amigos de Lisboa, permitindo-lhe contactar com olisipógrafos de renome, como Augusto Vieira da Silva (1859-1951), Gustavo de Matos Sequeira (1880-1962), Manuel Ferreira de Andrade (1910-1970), para além do seu primo Luís Pastor de Macedo (1901-1971). O seu interesse pela fotografia era partilhado com fotógrafos da sua época, José Artur Leitão Bárcia (1873-1945), Mário Novais (1899-1967) e Paulo Guedes (1886-1947), entre outros, com os quais mantinha uma profusa relação epistolar. Recebeu também, do Município de Lisboa, a encomenda da cobertura fotográfica das transformações urbanísticas executadas na cidade, na década de 1940. Eduardo Portugal morreu em 29 de junho de 1958, em Lisboa, onde residiu toda a sua vida, sem deixar descendência.


> História custodial e arquivística

A documentação permaneceu na residência de Eduardo Portugal, que fora de seus pais, na rua do Salitre. Após a sua morte e, anos depois, da do seu irmão, João Portugal, não havendo descendentes, foi adquirida pela Câmara Municipal de Lisboa, por intermédio de Ruy Macedo Fernandes (1927-02-18), primo em 2.º grau do autor. O acervo foi entregue em 1991, no Arquivo Municipal de Lisboa, onde se realizou um inventário prévio, em fichas manuais, com informação respeitante aos álbuns e às espécies fotográficas neles contidas. Em março de 1994, a documentação foi transferida para as novas instalações do arquivo fotográfico, na rua da Palma.




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