Ernesto de Sousa

 
 
 





> Código de referência PT/AMLSB/POR

> Data(s) 1919-1950

> Nome(s) do(s) produtor(es)
Portugal, Eduardo. 1900-1958, fotógrafo e colecionador


> História administrativa / biográfica

José Ernesto de Sousa nasceu em Lisboa a 18 de abril de 1921. Entre 1940 e 1947, frequentou o Curso de Ciências Físico-Químicas, na Faculdade de Ciências de Lisboa, que não chegou a concluir. Durante esse período, e em paralelo com o curso, iniciou a sua produção fotográfica que, aliás, esteve presente em todo o percurso da sua vida e da sua atividade multidisciplinar. Numa primeira fase, executou, predominantemente, levantamentos etnográficos, registos de arte popular e de escultura, bem como retratos em contexto urbano. Ainda na década de 1940, organizou uma exposição de arte moderna e arte africana (1946), onde integrou obras originais de artistas do modernismo português, entre os quais, Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros. Este último foi, para ele, uma referência importante e a figura central nas suas propostas para uma nova vanguarda portuguesa. Colaborou em diversas publicações, como crítico de arte, tais como, Seara Nova, Mundo Literário, Portucale, Vértice e tornou-se defensor acérrimo do movimento neorrealista. Fundou o Círculo de Cinema, um dos primeiros cineclubes portugueses. De facto, a divulgação do cineclubismo, acerca do qual escreveu em múltiplas e variadas publicações, fizeram dele um dos mais notáveis cineclubistas nacionais.

No final desta década, iniciou a sua atividade cinematográfica, que o levou a fixar-se algum tempo em Paris (1949-1952), onde frequentou estudos de história do cinema, filmologia e técnicas de som. Escreveu sobre estes temas, para a revista Plano Focal (1953), da qual foi chefe de redação. Mais tarde, publicou vários livros sobre cinema, em que se destacam "O argumento cinematográfico” (1956), "A realização cinematográfica”(1957) e "O que é o cinema” (1960). Durante os anos 60, realizou o filme "Dom Roberto” (1962), que recebeu, em Cannes, na semana da crítica, os prémios da Jovem Crítica e da Associação do Cinema para a Juventude. Orientou o Curso de Cinema Experimental, no Cineclube do Porto (1965). Deu aulas (1967-1970) nas disciplinas de Técnicas da Comunicação e Estética do Teatro e do Cinema, no Curso de Formação Artística da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Entre 1969 e 1972, filmou o filme "Almada, um nome de guerra”, no atelier de Almada Negreiros, que, juntamente com o exercício teatral "Nós não estamos algures” (1969) e o projeto mixed media "Luíz Vaz 73”, tiveram a influência do movimento artístico Fluxus, onde travou amizade com Robert Filliou e Wolf Vostell. Ainda nesta década, publicou vários livros sobre o neorrealismo em Portugal, como são exemplo, os títulos "Júlio Pomar” (1960),"Lima de Freitas” (1961) e "A pintura portuguesa neo-realista” (1965). Organizou, ainda, exposições de arte: Exposição de Arte Africana (1961); Quatro Artistas Populares do Norte: Barristas e Imaginários(1964), com Rosa Ramalho, entre outros.

Durante a década de 1970, foi participante ativo em redes de arte postal, igualmente influenciadas pelo movimento Fluxus, tendo contribuído para várias publicações coletivas internacionais. Até aos anos 80, continuou a sua intensa atividade artística, idealizou projetos expositivos (O teu corpo é o meu corpo, em 1972), foi curador (Projectos-Ideias, em 1974; Alternativa Zero, em 1977), organizador (Onze artistas portugueses em Milão, em 1978) e participante ("Tu cuerpoes mi cuerpo / Mi cuerpo es tu cuerpo”, em 1978) em exposições (Portuguese Video Art, em 1981; Atitudes Litorais, em 1984; Itinerários, em 1987), congressos (AICA, na Polónia, em 1975), conferências (Arte-Processo ou Artes da Acção, em 1978), dirigiu a galeria Diferença (1978-1987). Isabel Alves, viúva do artista, descreveu-o, numa entrevista, como "um artista em frenesim permanente (…) nunca estava no presente, estava sempre no futuro. Porque o presente já não lhe interessava, estava feito” (Público, 2012). O seu espírito aberto e polémico fê-lo entrar, muitas vezes, em conflito com as ideias político-culturais da época, sendo, por isso, preso quatro vezes pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). O espólio da sua autoria é multifacetado, tal como foi toda a sua vida, sendo composto por documentos fotográficos, filmes, cartazes, documentação escrita, biblioteca e registos sonoros. Como colecionador, procurou, também, obras diversas de outros autores. Ernesto de Sousa morreu a 6de outubro de 1988.


> História custodial e arquivística

A documentação manteve-se na posse da família de Ernesto de Sousa, até 8 de abril de 2014, altura em que foi entregue, no Arquivo Municipal de Lisboa, uma parcela do espólio fotográfico, com cerca de 1700 diapositivos cromogéneos em caixilho. O acordo efetuado entre Isabel Alves, viúva do fotógrafo e o Município de Lisboa, definiu a cedência temporária, a título de depósito, do conjunto documental composto por, aproximadamente, 5500 diapositivos.




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