Francisco keil do Amaral

 
 
 





> Código de referência PT/AMLSB/FKL

> Data(s) 1934-1999

> Nome(s) do(s) produtor(es)
Amaral, Francisco Keil do. 1910-1975, arquiteto


> História administrativa / biográfica

Francisco Keil do Amaral, filho de Francisco Coelho do Amaral Reis e de Guida Maria Josefina Cinatti Reis Keil, nasceu em Lisboa, a 28 de abril de 1910. Viveu a infância entre Canas de Senhorim, estadias em Luanda (de 1912 a 1913 e de 1920 a 1921), cidade onde o pai ocupou o cargo de governador, e Lisboa, onde frequentou o Colégio Nacional e o Liceu Gil Vicente, entre 1922 e 1928. Ingressou na Escola de Belas-Artes de Lisboa nesse ano, altura em que abandonou a casa paterna, começando a trabalhar em publicidade. Ao longo do curso da Escola de Belas-Artes de Lisboa, trabalhou no atelier de Carlos Ramos, colaboração que marcou as tendências funcionalistas e o caráter purista das suas primeiras obras, caraterísticas patentes no projeto do edifício do Instituto Pasteur, no Porto. Em 1933 casou com Maria da Silva Pires (Maria Keil), tendo nascido, dois anos mais tarde, o seu único filho, Francisco Pires Keil do Amaral.

Em 1934, foi aprovado no Curso Geral de Arquitetura da Escola de Belas-Artes de Lisboa, tendo obtido o diploma em 1936, com 17 valores. Foi precisamente nessa altura que obteve o primeiro prémio no concurso para o pavilhão de Portugal, na Exposição Internacional de Paris. Esse projeto, de cariz inovador, constitui expressão do movimento modernista, que se propagava a nível europeu e que originou uma nova linguagem estética. Entre 1938 e 1947, Keil do Amaral trabalhou na Câmara Municipal de Lisboa, sob a presidência de Duarte Pacheco, na Direção de Urbanização e Obras. Aí, desenvolveu um importante trabalho, nos equipamento e espaços verdes da cidade, como o parque florestal de Monsanto, o parque Eduardo VII e o jardim do Campo Grande, entre outras obras emblemáticas da capital, como a aerogare do aeroporto de Lisboa, onde valorizou, no contexto geral e nos percursos, em particular, aspetos naturalistas, topográficos e orgânicos. Face ao prestígio que detinha, continuou a prestar consultoria em alguns projetos camarários, mesmo em datas posteriores a 1497, altura em que deixou de trabalhar na Câmara Municipal de Lisboa. Paralelamente à prática da arquitetura, a sua ação cívica, ética, social, cultural e política intensificou-se nesse período, participando nos órgãos do Sindicato Nacional dos Arquitetos e promovendo as Exposições Gerais de Artes Plásticas, no contexto de uma dinâmica cultural de oposição ao Estado Novo. A sua figura tutelar foi indissociável das iniciativas criadas a partir da fundação, em 1947, do grupo Iniciativas Culturais Arte Técnica (ICAT) e que, culminou com a sua eleição como presidente do sindicato, em março do ano seguinte. Foi afastado do cargo, na sequência de declarações à imprensa, a propósito do problema da habitação em Portugal, aquando da campanha eleitoral de Norton de Matos, o candidato da oposição, que Keil do Amaral apoiou. Apesar de nunca ter tido oportunidade para lecionar arquitetura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, fazendo-o no curso de Arte e Arquitetura, da Universidade Popular, o arquiteto, teve uma importante ação pedagógica, publicando três livros de referência, na primeira metade dos anos 40, nomeadamente: "A arquitetura e a vida”, "A arquitetura holandesa” e "O problema da habitação”.

Ao longo dos anos 50, destacou-se em projetos para edificado habitacional, como a casa de Nafarros (de Mário Soares), a casa do Magoito (de Correia Guedes) e a casa da Fonte (de Robert Gulbenkian), a par do desenho de lojas e equipamentos urbanos, que introduziram novos códigos linguísticos, ao gosto das influências mais internacionais, como as lojas TAP, Seldex e o Metropolitano de Lisboa. Todavia, a sua obra mais internacional, foi a Feira das Indústrias de Lisboa, construída entre 1951 e 1957. Em 1951, recebeu o Prémio Municipal de Arquitetura, pela moradia de Sousa Pinto, na rua D. Vasco da Gama, Restelo, em Lisboa. Foi convidado, em 1958, pela Fundação Calouste Gulbenkian, para consultor, juntamente com o arquiteto Carlos Ramos, no projeto do edifício da sua sede e museu e, em 1961, para a obra do estádio de futebol de Bagdad, no Iraque. Esse projeto, a par de diversos planos de urbanização turísticos (Tróia, Porto Santo e Pinhal da Marina, em Vilamoura) caraterizaram a sua produção dos anos 60, marcada, em Lisboa, pela piscina do Campo Grande. Em 1963, recebeu o Prémio Valmor, pela moradia de Silva Brito, na avenida Almirante António Saldanha, Restelo, em Lisboa. Depois de, em 1971, adoecer com problemas cardiovasculares, Keil do Amaral faleceu em Lisboa, a 19 de fevereiro de 1975.


> História custodial e arquivística

A documentação foi doada à Câmara Municipal de Lisboa, pelos herdeiros do arquiteto Keil do Amaral, respetivamente, Maria Pires da Silva Keil do Amaral e Francisco Caetano Keil do Amaral, em 2001. O processo foi objeto de contratualização, mediante protocolo. Encontra-se atualmente à guarda do Arquivo Municipal de Lisboa, que a detém, em regime jurídico de usufruto e de propriedade.




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