José Luiz Monteiro

 
 
 





> Código de referência PT/AMLSB/JLM

> Data(s) [1859]-[1942]

> Nome(s) do(s) produtor(es)
Monteiro, José Luiz. 1848-1942, arquiteto


> História administrativa / biográfica

José Luís Monteiro, conhecido como mestre Monteiro, nasceu a 25 de outubro de 1848, na freguesia de São José, em Lisboa. Filho de Tomás Luís Monteiro e de Gertrudes Margarida da Conceição, foi considerado um dos arquitetos mais bem preparados do seu tempo e um dos promotores da renovação arquitetónica em Portugal. Nascido numa família modesta, desde cedo, dedicou-se à aprendizagem do trabalho da pedra na oficina do seu pai, canteiro de profissão. Concluída a instrução primária, em 1859, iniciou o ensino preparatório. No ano seguinte, aos 12 anos, foi admitido na Academia Real de Belas-Artes de Lisboa, onde frequentou o ensino técnico-profissional até 1870. Assistiu às aulas ministradas, entre outros, pelos pintores e arquitetos João Cristino da Silva (1929-1976), José da Costa Sequeira (1800-1872), Miguel Ângelo Lupi (1826-1883) e António Victor Figueiredo de Bastos (1830-1894).

A formação que obteve na Academia Real foi condicionada pelas limitações pedagógicas da instituição, que não correspondia às necessidades da época e estava ultrapassada em relação a outros países europeus. No ano letivo de 1863, recebeu o seu primeiro prémio académico (20$000 réis). Voltou a ganhar o mesmo prémio nos três anos seguintes. Em 1868, obteve a medalha de prata na classe de Invenção em Arquitetura, no Concurso Trienal. Os seus últimos anos na Academia Real foram marcados por dificuldades financeiras e problemas de saúde, que o levaram a solicitar, em 1869, a dispensa do serviço militar obrigatório. Para completar a sua formação, concorreu, em 1871, ao concurso da Academia Real de Belas-Artes de Lisboa, para estudar no estrangeiro. Tendo obtido a bolsa, adiou a viagem devido à morte do pai. Partiu para Paris em março de 1873 e, em setembro, prestou provas na École Nationale et Spéciale de Beaux-Arts, sendo admitido na 2.ª Classe de Arquitetura, do curso de Arquitetura Civil. Nesta escola, escolheu como professor, o arquiteto Jean-Louis Pascal (1837-1920), profundo conhecedor do classicismo greco-romano e da emergente arquitetura do ferro. Desde 1874, na Academia Real de Belas-Artes em Lisboa, recebeu várias distinções: medalha de prata no concurso de Matemática, menção honrosa no concurso de Geometria Descritiva, medalhas de prata nos concursos de Desenho e Ordenamento, bem como nos exames de Estereotomia, Perspetiva e Construção Civil, menções honrosas em diversos concursos de Arquitetura Civil, entre outras.

Em 1875, transitou para os estudos de 1.ª Classe de Arquitetura, continuando a obter distinções, sob a forma de medalhas, menções honrosas e prémios. Destaca-se, em 1876, o prémio Muller Soehnée, atribuído pelo Conselho Académico da École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts. Em resultado do seu percurso, em agosto de 1877, recebeu o Certificado de Capacidade em Arquitetura. No ano seguinte, requereu a realização das provas académicas finais, nas quais apresentou projetos relativos a um chalet suíço, a um palacete italiano neobarroco, a uma vivenda inglesa neogótica e a uma casa espanhola neoárabe. Em novembro, após receber o prémio Rougevin, tornou-se no primeiro português a obter o diploma de arquiteto da École Nationale et Spéciale de Beaux-Arts.

Em paralelo ao percurso académico, José Luís Monteiro adquiriu experiência profissional, sob o patrocínio de Jean-Louis Pascal. Em 1876, e pelo período de ano e meio, foi responsável pelas obras de reconstrução do edifício da Câmara Municipal de Paris. Posteriormente, colaborou na instalação da representação portuguesa na Exposição Universal de Paris (1878). Entretanto, em 1877, concorreu a um concurso da Câmara Municipal de Lisboa, para o cargo de arquiteto-chefe da 1.ª Secção da Repartição Técnica. Ao ser classificado em primeiro lugar, adiou a tomada de posse para realizar uma viagem de estudo a Itália (o Grand Tour), para complementar a sua formação académica. A viagem teve início em janeiro de 1879 (sul de França, Mónaco, Itália e Suíça) e no regresso, que foi antecipado devido ao falecimento da mãe, visitou Granada e Córdova, em Espanha, chegando a Lisboa, em março de 1880. Durante a viagem, por imposição da Academia Real, que lhe tinha prorrogado a bolsa por mais dois anos, elaborou o projeto de restauro de um edifício: o templo romano dedicado a Antonino e Faustina (c. 146 d.C.). Em Lisboa, foi aclamado como académico de mérito pela Academia Real de Belas-Artes. Tomou posse como funcionário da Câmara Municipal de Lisboa em abril, num momento em que a cidade se encontrava em transformação, com a expansão urbana fomentada pelo presidente, José Gregório da Rosa Araújo (1840-1893), e pelo engenheiro-chefe da Repartição Técnica, Frederico Ressano Garcia (1847-1911). Enquanto técnico camarário, elaborou projetos para o novo Mercado Central de Lisboa (1881), o Liceu Central de Lisboa (1882), o Jardim-Escola Froebel (1882), o quartel do Corpo de Bombeiros Municipais (1892) ou a capela do Cemitério de Benfica (1888). Com menores dimensões, foram seus os projetos para coretos, alguns dos quais efémeros, o pavilhão para a comemoração do 3.º centenário da morte de Luís de Camões (1880), o carro alegórico da cidade de Lisboa, para a procissão cívica no centenário do Marquês de Pombal (1882), o arranjo urbanístico do largo do Barão de Quintela (1882), os candeeiros para o monumento da praça dos Restauradores (1886), o mobiliário e os portões da frontaria dos Paços do Concelho (1887-1891), os lagos do Rossio (1888), a nova igreja dos Anjos (1897) ou a Feira Franca para a comemoração do 4.º centenário da chegada à Índia (1898). Embora nem todos os seus projetos tivessem sido concretizados, alguns, destacaram-se pela escolha do ferro como material de construção, o que à época, representava uma novidade em Portugal.

A carreira de arquiteto municipal, de José Luís Monteiro, terminou em 1909, aquando da sua passagem à reforma. Na condição de profissional liberal, em que realizou as suas mais importantes obras, o seu nome ficou associado: ao Real Ginásio Clube Português (1883), à estação ferroviária do Rossio (1886-1887), ao hotel Avenida Palace (1890-1892) e à biblioteca e salas da Sociedade de Geografia de Lisboa (1897). Relativamente à arquitetura doméstica, projetou o palácio dos condes de Castro Guimarães (palácio do Torel, 1885), o jazigo dos marqueses de Tomar, no cemitério dos Prazeres (1886), o jazigo da sua família, no cemitério do Alto do São João (1886), o chalet de Ernesto Biester (1890), a sua residência em Campo de Ourique (1893), o chalet dos condes de Tomar (palacete de Santa Sofia, 1896), o chalet da condessa do Faial (1896), o chalet da condessa de Cuba (1899), um edifício de habitação em Entrecampos (1902), a capela do chalet Palmela (1919) e o palácio de Rio Frio (herdade de Santos Jorge, 1919). Em junho de 1881, foi nomeado docente da cadeira de Arquitetura Civil, na Academia Real de Belas-Artes, onde colaborou na remodelação pedagógica e curricular então realizada (1881 e 1900). Cultivou um ensino prático, centrado na aprendizagem dos modelos clássicos, tendo dirigido a Academia entre 1912 e 1929. Envolveu-se na fundação, em 1902, da Sociedade dos Arquitetos Portugueses, da qual foi presidente da Assembleia Geral (1902) e, mais tarde, presidente honorário (1926). Publicou, no anuário da sociedade, os seus dois únicos escritos: "O chamado concurso das fachadas em Paris” (1905) e "As novas edificações de Lisboa” (1906). José Luís Monteiro participou, ainda, em diversos júris, foi presidente de honra do Conselho de Arte e Arqueologia da Escola de Belas-Artes de Lisboa (1900), membro da Comissão Executiva da Exposição Retrospetiva de Arte Ornamental Portuguesa e Espanhola (1881), membro do Comité de Lisboa para a Exposição de Roma de 1885-1886 (1881), consultor e superintendente do gabinete técnico da Companhia de Caminhos de Ferro Portugueses (1886), membro da Comissão dos Monumentos Nacionais (1890), colaborador do Comissariado Geral de Portugal da Exposição Universal de Paris (1900) e vogal do Conselho Superior de Instrução Pública (1907). O seu trabalho foi reconhecido e premiado no estrangeiro, com a Medalha de Segunda Classe de Arquitetura e o Diploma de Mérito da Exposição Geral de Belas-Artes (Espanha, 1881), o Grau de Cavaleiro da Real Ordem de Isabel, a Católica (Espanha, 1881) e o Grau de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra (França, 1901). Em Portugal, entre outras distinções, recebeu, por duas vezes, o Grau de Oficial da Real Ordem Militar de Santiago de Espada, aos quais resignou. A Câmara Municipal de Lisboa atribuiu-lhe a Medalha da Cidade (1924) e a Medalha de Ouro de Mérito Municipal (1935). A sua vida e obra foram objeto de uma publicação (1924), elaborada pelo arquiteto e presidente do Conselho Diretor da Escola de Belas-Artes, Francisco Carlos Parente (1872-1924). Faleceu a 27 de janeiro de 1942, em Lisboa, na sua residência em Campolide. Foi sepultado no jazigo da família, no cemitério do Alto de São João.


> História custodial e arquivística

A documentação foi adquirida pela Câmara Municipal de Lisboa, a Maria Joana Monteiro Loureiro, neta de José Luís Monteiro, em 1993. O conjunto documental encontra-se incompleto, uma vez que muitos documentos estão dispersos por outras instituições e na posse de terceiros. Houve uma tentativa de doação à Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, em 1943, processo que não chegou a ser concretizado, tendo o acervo sido devolvido à família, em 1945, de forma desorganizada e com peças em falta. Atualmente, encontra-se à guarda do Arquivo Municipal de Lisboa, que o detém, em regime jurídico de usufruto e de propriedade.



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