Ruy Jervis d'Athouguia

 
 
 





> Código de referência PT/AMLSB/RJA

> Data(s) 1945-1990

> Nome(s) do(s) produtor(es)
Athouguia, Ruy Jervis d’. 1917-2006, arquiteto


> História administrativa / biográfica

Rui Jervis de Atouguia, filho de Manuel Jervis de Atouguia Ferreira Pinto Basto e de Emília Sequeira Manso Gomes Palma, nasceu em Macau, a 1 de janeiro de 1917. Depois de finalizar os estudos do secundário no Colégio Militar, ingressou na Escola de Belas-Artes de Lisboa, que trocou, em 1940, pela Escola de Belas-Artes do Porto, onde concluiu o curso de Arquitetura, em 1944. Nesse ano, regressou a Lisboa, para iniciar a atividade profissional no escritório de Veloso de Reis Camelo e, mais tarde, com Filipe Nobre de Figueiredo e Jorge Segurado. Depois de casar com Maria Domingas Pepulim, apresentou a prova de concurso para obtenção do diploma de arquiteto, somente em 1948, obtendo a classificação de 18 valores. A sua condição aristocrática (visconde de Atouguia) permitiu-lhe o precoce convívio e amizade com figuras relevantes da sociedade portuguesa, que se viriam a tornar clientes. De facto, os primeiros trabalhos que efetuou foram encomendas particulares de amigos e familiares, que o consideraram um arquiteto inovador, que apostava em soluções económicas e de aproveitamento inteligente do espaço. Rui Jervis de Atouguia trabalhou sempre como profissional liberal, com exceção de um período de quatro anos, nos anos 50, em que foi arquiteto na Câmara Municipal de Cascais, ao serviço da qual realizou trabalhos importantes, como o bairro dos Pobres, para a Santa Casa da Misericórdia de Cascais.

Em regime de profissão livre, efetuou cerca de 250 projetos, de unidades e de conjuntos, nomeadamente, de habitação individual e coletiva, construções escolares, instalações de serviços públicos, teatros, museus, hotéis, centros comerciais, estudos de urbanização e de reordenamento. Entre os projetos para edifícios de habitação (moradias, prédios de rendimento e bairros económicos) efetuados, destacou-se a célula VIII do bairro de Alvalade, entre 1949 e 1954, designada como bairro de São João de Deus, posteriormente conhecido como bairro das Estacas. Esta obra, realizada em coautoria com Sebastião Formosinho Sanches, conquistou, em 1954, um importante prémio na Exposição Internacional da Bienal de São Paulo, no Brasil. Do júri desta exposição faziam parte, entre outros, Le Courbusier, Alvar Aalto, José Luiz Sert e Rogers, o que originou uma significativa divulgação internacional, da sua obra, em revistas da especialidade de grande prestígio. Este projeto também recebeu o Prémio Municipal de Arquitetura, em 1955. Seguiram-se a escola primária do bairro São Miguel (1956-1957), a torre habitacional, em Cascais, o liceu Padre António Vieira, em Lisboa (1959) e o conjunto habitacional da praça de Alvalade (posteriormente modificado a poente).

Foi autor, juntamente com Alberto Pessoa e Pedro Cid, do edifício da sede da Fundação Calouste Gulbenkian (1960-1968). Entre 1947 e 1967, esteve envolvido no desenho e construção de alguns dos edifícios mais significativos em Portugal, quer de caráter público, quer de representatividade, sendo a Fundação Calouste Gulbenkian, uma obra de referência. Nos anos 60, foi consultor urbanista da Câmara Municipal do Montijo e, já nos anos 70, da Câmara Municipal de Beja. Foi ainda, durante cerca de ano e meio, diretor do gabinete técnico da Habitat, em Algés. Em 1969, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada e, em 1975, recebeu o Prémio Valmor. Rui Jervis de Atouguia faleceu em Lisboa, a 21 de julho de 2006.


> História custodial e arquivística

A documentação encontrava-se originariamente no atelier do arquiteto Rui Jervis de Atouguia, que funcionava num palácio do século XVIII, em Lisboa, na rua de São Pedro de Alcântara. O acervo foi cedido, pelo autor dos projetos, à Câmara Municipal de Lisboa, em junho de 2000. Encontra-se atualmente à guarda do Arquivo Municipal de Lisboa, que o detém em regime de depósito.



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