Varvara Heyd

 
 
 





> Código de referência PT/AMLSB/VHE

> Data(s) [195-]-[197-]

> Nome(s) do(s) produtor(es)
Heyd, Sonia Varvara Hasselbalch. 1920-2008, fotógrafa

> História administrativa / biográfica

Sonia Varvara Hasselbalch Heyd nasceu em Copenhaga, na Dinamarca, a 16 de abril de 1920, filha do fabricante Erik Hasselbalch e da baronesa Louise von Plessen. Segundo relato da autora, recolhido a 1 de Março de 1994, no Arquivo Municipal de Lisboa (arquivo fotográfico), iniciou-se na fotografia antes dos 16 anos de idade, nos concursos hípicos onde ela e a mãe participavam. Em 1936, começou a vender as suas fotografias de cavalos à imprensa. Em 1937, na América, onde permaneceu por nove meses, fez um curso de fotografia por correspondência e, em 1938, iniciou-se na foto-reportagem. Foi apresentada à fotógrafa francesa D’Ora (famosa pelos retratos de alta sociedade e de moda) e trabalhou, durante um ano, para a câmara escura do estúdio D’Ora, em Paris. Este estúdio ficava num prédio que pertencia ao escritor Tristan Bernard. Entre 1939 e 1942, foi voluntária na Cruz Vermelha Francesa, onde conduziu ambulâncias e camiões, na frente de batalha, na II Guerra Mundial. Aos 20 anos, foi condecorada com a Cruz de Guerra Francesa, com duas estrelas de bronze, e pela Légion d’Honneur, pelo serviço de ajuda aos feridos, uma condecoração italiana, para o serviço diplomático na Suécia. Em 1942, regressou à Dinamarca, Copenhaga, para a residência de família, o palácio dos avôs, situado em Trondhjemsgade, n.º 9, no qual se encontrava uma câmara escura, pertencente ao seu avô, fotógrafo amador.

Em 1943, foi para a Suécia, onde trabalhou durante dois meses, no estúdio de retratos UGGIA, em Estocolmo. Nesse mesmo ano, abriu o primeiro estúdio de retratos, no palácio dos avós, em Copenhaga. Em 1944, realizou a sua primeira exposição individual, com o título "Os meus retratos” e editou o livro "Private 5272”, sobre as memórias de guerra na Cruz Vermelha Francesa. Foi casada com Richard Heyd e, em 1947, casou pela segunda vez, com Guy Ingram, indo viver para Londres. Abriu o primeiro estúdio na rua Garway Road Bayswater, com o fotógrafo de ballet, Roger Wood. Em 1948, fechou este estúdio e abriu um segundo, comprando a lista de clientes de um fotógrafo falido, passando a designar-se "Varvara Foto e Keturah Collings of Bond Street”. Este estúdio executava fotografia nas casas dos clientes, com um lençol branco de fundo, sendo as fotos copiadas por pintores, que faziam aguarelas, pinturas e miniaturas sobre marfim. Em 1951, fechou o estúdio em Londres, divorciou-se, e foi para a Madeira. Saturada de retratos de mulher retocados e com a entrada na era do instantâneo, começou a fotografar as pessoas ao natural. Nesse mesmo ano, em Lisboa, conheceu Jorge Felner da Costa, do Secretariado Nacional de Informação (SNI), a quem propõe fazer um livro sobre a Madeira e, em 1900, foi editado o livro "Madeira”. O período em que permaneceu na Madeira, entre 1951 e 1955, representou, igualmente o início da fotografia a cores de Varvara.

Em 1900, ao casar com Poul Ernst Von Stemann, pai de seu filho, adquiriu o título de baronesa. Viveu durante um ano na Quinta da Romeira, em Bucelas, mas, devido a questões logísticas de ambos, foram viver para Alfama, em Lisboa, no palácio do Dr. José Coelho da Cunha (filho do fundador do jornal Diário de Notícias), localizado no Telheiro de São Vicente. Nesta casa montou, novamente, uma câmara escura, manteve contacto com o SNI e continuou a fotografar Portugal. Em 1964, foi viver para o Mónaco, numa altura em que o filho frequentava uma escola no norte de França. O seu marido morreu em 1966 e, entre 1967 e 1969, fez fotografias de teatro, bailado, ópera, capas de discos, participou em conferências sobre viagens e fotografia. Na Dinamarca, em 1970, expôs em duas galerias dinamarquesas, nomeadamente, na Academia Real de Arte Charlottenborg e na galeria Kodak. Esta exposição, intitulada "Portugal visto por Varvara”, incidiu sobre Portugal, sendo composta por 400 a 450 imagens, com itinerância, entre 1970 e 1972, pelo Brasil e Portugal. Em 1975, a convite da Fundação da Cultura, esta exposição foi reposta, na igreja Nikolaj, em Copenhaga. Em 1983, deixou o Mónaco e regressou à Dinamarca, onde manteve o estúdio na sua residência, no qual continuou a trabalhar, fazendo retratos. Em 1993, foi editado, na Dinamarca, o livro "My Devil-May-Care Mother”, de sua autoria, sobre a sua mãe. Em 1994, Varvara doou, ao Arquivo Municipal de Lisboa, a documentação relativa à exposição "Portugal visto por Varvara” e, em 1997, editou o livro "Varvara’s World". Sonia Varvara Hasselbalch Heyd morreu em Copenhaga, a 3 de abril de 2008.

> História custodial e arquivística

A documentação foi doada à Câmara Municipal de Lisboa, por Varvara Heyd, tendo sido enviada da Dinamarca, por via postal, para o Arquivo Municipal de Lisboa, em 22 de Agosto de 1994.



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