Cadernos do Arquivo Municipal | nº 9

 

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2.ª série

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Cadernos do Arquivo Municipal | nº 9

Autor: CML | AML


A Lisboa ausente: da memória do património desaparecido aos projetos utópicos para a cidade 
ISSN: 2183 - 3176
Coordenação científica: Maria Alexandra Trindade Gago da Câmara e Teresa Campos Coelho

«A cidade é por definição um organismo vivo e em constante mutação. A sua história constrói-se de sonhos, conquistas e perdas, pelo que é uma história de identidade. Conhecer a história das cidades é compreender este
passado ausente.

Como todas as cidades, Lisboa cresceu entre realidades, imaginários, ausências e utopias, entre permanências e transições. Como grande cidade foi já desejada por Francisco de Holanda em 1571 na Fábrica que falece à cidade de Lisboa, e citada por tantos autores ao longo dos séculos. Muitos seriam os nomes daqueles que sobre ela se debruçaram, que aqui poderiam e mereciam ser relembrados. Referiremos apenas o recente trabalho, The Global City, que nos permite reconstituir essa cidade já ausente e que teve, na desaparecida Rua Nova dos Mercadores, a materialização de todo o seu esplendor.

Lisboa alia à beleza natural da sua geografia o exotismo do contacto com outros mundos que uma localização privilegiada permitiu, na confluência das rotas marítimas dos diferentes continentes. Mas se, como refere José Cardoso Pires, "a distância inventa cidades”, é sobretudo na proximidade e sentir das suas "muitas e desvairadas gentes” que reside, desde tempos imemoriais, grande parte do fascínio para quem a visita – e uma incontornável dependência para quem quotidianamente com ela (con)vive.

Ela traduz o confronto entre o sonho de alguns e as exigências de adaptação motivadas pelos mais diversos fatores, numa sábia reinvenção a cada momento, mesmo em períodos de grande rutura. Nas suas muitas mutações, Lisboa é a cidade possível, resultado das paixões e vicissitudes que a vão moldando – como José Sarmento de Matos a define na magnífica entrevista que nos deu, Em Lisboa as coisas ajeitam-se...
A ideia deste tema surgiu-nos quando, no início de 2016, estávamos a preparar para estes mesmos Cadernos um texto sobre o desaparecido Palácio do Marquês de Alegrete na Mouraria de Lisboa. Deparámo-nos com uma série de projetos para o Martim Moniz, de ligação entre o centro histórico e o prolongamento da Rua da Palma.

Propusemos então (em fevereiro de 2017) a realização de um número temático sobre a Lisboa Ausente, que permitisse englobar não só a memória do património desaparecido, mas também a referência aos muitos projetos utópicos pensados para a cidade. O tema, embora não seja novo no âmbito da iniciativa municipal – em 1999 o Departamento de Património Cultural, através da Divisão de Arquivos, organizara já um colóquio subordinado ao tema Lisboa, utopias na viragem do milénio –, continua atual pelo interesse que desperta naqueles que estudam a cidade. E já em janeiro de 2017, viria a ser inaugurada, no Museu de Lisboa–Palácio Pimenta, a exposição A Lisboa que teria sido

Os seis artigos que integram o dossier deste número pretendem refletir sobre este tema a partir de diferentes perspetivas, considerando e salientando estruturas espaciais e sociais, formas urbanas, idealizações, projetos e intenções, estabelecendo pontes entre a cidade material e a cidade imaginada. (...)».

Maria João Pereira Coutinho e Teresa Leonor M. Vale

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