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221/67 - ex-voto
2021-10-14 2021-11-23
AML | Fotográfico


A exposição acontece na Sala de Leitura do Arquivo Municipal de Lisboa - Fotográfico, no âmbito do projeto | a imagem contextualizada | e reúne nesta edição de 2021, o projeto individual de natureza fotográfica "221/67-ex-voto", da autoria de Fernando Pina.

"O militar 221/67 foi um típico soldado português, combatente na guerra colonial. De proveniência modesta, nasceu e cresceu no interior do país com a Serra da Estrela à sua frente. Ingressou nas Tropas Pára-quedistas em 1967, no Regimento de Caçadores Pára-quedistas em Tancos.

Em 1968 é destacado para uma comissão de dois anos, tendo sido colocado na cidade da Beira, em Moçambique. Quando viajou para África, o soldado pára-quedista fazia-se acompanhar de um fino fio de ouro com uma pequena cruz e a figura de Cristo. Num País profundamente católico, estes objectos religiosos eram bastante comuns entre os militares portugueses. Um dia, ao chegar à base após uma acção ofensiva particularmente difícil, o soldado pára-quedista reparou que a figura de Cristo, que trazia ao peito, havia perdido um dos braços. Apesar de se ter tornado um homem muito pouco religioso, ele manteve sempre a convicção de que, naquele dia, Cristo o havia salvo.

221/67 - ex-voto é o produto da investigação e interpretação realizadas a partir dos álbuns fotográficos de guerra desse soldado."
Fernando Pina
(o autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico)
 
Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico - Sala de Leitura
Rua da Palma, 246, 1100-394 Lisboa

Conversa com Cláudia Castelo: 14 de outubro, 18h00, evento com transmissão online através do youtube

Exposição: de 15 de outubro de 2021 a 23 de novembro
Horário: Segunda a sexta, das 10h00 às 18h00, encerra aos sábados, domingos e feriados

ENTRADA LIVRE

 
BIOGRAFIAS


Fernando Pina (Lisboa, 1968)

Realizou os estudos secundários na Escola Artística de António Arroio em Lisboa. Cursou a Licenciatura de Design de Comunicação e a Licenciatura de Arte Multimédia, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. É mestre em Museografia e Museologia pela mesma Faculdade. Desde 1988 trabalha como designer, consultor, formador e professor em diversas áreas do Design Gráfico e de Comunicação, assim como de Arte Multimédia. É Professor assistente convidado da Escola Superior de Educação de Lisboa – Instituto Politécnico de Lisboa, na área da Arte e Multimédia. Atualmente desenvolve projetos fotográficos de índole documental e autoral, numa relação discursiva com outras áreas do design e das artes, como a edição gráfica, a instalação, o vídeo e o som.


Cláudia Castelo (Lisboa, 1970)

É licenciada em História e mestre em História dos séculos XIX e XX pela Universidade Nova de Lisboa, e pós-graduada em Ciências Documentais (variante Arquivos) e doutora em Ciências Sociais pela Universidade de Lisboa. Foi arquivista no Arquivo Municipal de Lisboa, tendo gostado muito de trabalhar no Arquivo Fotográfico. Em 2009 transitou para a carreira de investigação. Foi investigadora compromisso com a ciência no Instituto de Investigação Científica Tropical e investigadora FCT no Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). Atualmente, é investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, ao abrigo do programa estímulo ao emprego científico. A sua pesquisa incide sobre a história do colonialismo na época contemporânea, em particular sobre a circulação de pessoas, ideias e conhecimento no último império colonial português. É autora dos livros «O modo português de estar no mundo»: o luso-tropicalismo e a ideologia colonial portuguesa (1933-1961) e de Passagens para África: o povoamento de Angola e Moçambique com naturais da metrópole (1920-1974), entre outras publicações.

 

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