Agenda

 
a imagem contextualizada 2020
2020-09-22 2020-10-30
AML | Fotográfico

A exposição acontece na Sala de Leitura do Arquivo Municipal de Lisboa - Fotográfico, no âmbito do programa | a imagem contextualizada | e reúne nesta edição de 2020, quatro projetos individuais de natureza fotográfica de jovens autores que partilham entre eles o forte desejo pela interrogação da imagem fotográfica: Ânia Pais (1998), Beatriz Banha (1995), Cláudia Sequeira (1997) e Francisco Painço Santos (1998) apresentam projetos que espelham um insistente questionamento em torno da fotografia e do seu potencial mnemónico.

 
Rua da Palma, 246, 1100-394 Lisboa
Horário: Segunda a sexta, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 16h30, encerra aos sábados, domingos e feriados

 
Ânia Pais | Fez-se noite


O trabalho "Fez-se Noite" de Ânia Pais, resulta da necessidade que a artista desenvolveu em caminhar pelo campo, sobretudo, nos finais de dia, afim de captar o momento crepuscular e transitório, no qual se dá uma grande alteração na intensidade da luz e por consequência, na perceção da paisagem. Ao ato de caminhar pela paisagem, a artista também designa de "lugar” (entendendo o caminho e o caminhar como um território autónomo), referindo-se a este como: "Um lugar que permite olhar para dentro, à procura de verdade intrínseca, um mergulho no subconsciente, onde se olha e reflete as coisas pela sua essência.”

As fotografias são feitas em movimento durante a caminhada e por isso revelam-se bastante nublosas e pouco estáticas. São claramente testemunhas desse instante em trânsito, que sincroniza o momento de ver com o momento de deixar de ver convocando o olhar para uma viagem interior.A luz, a escuridão e a sombra definem o que se conhece do mundo. Coexistem em simultâneo, sendo a escuridão uma consequência da ausência de luz e a sombra uma consequência da existência da mesma.

Beatriz Banha | 00.33.

Beatriz Banha apresenta "00.33.", um trabalho de reflexão em torno do momento vivido durante a última primavera (período de quarentena relativo à pandemia do Covid-19), que teve de inédito e praticamente universal, a capacidade de imobilizar-nos a um contexto específico. Será muito comum dentro de alguns anos, partilharmos as memórias sobre onde estávamos e como foi o nosso período de quarentena. Ao aceitar essa condição e com a consciência desta memória futura, Beatriz manteve um olhar inquieto e escrutinador, perante uma realidade que se foi desenhando como distópica à escala do mundo.

O projeto assenta num conjunto de imagens, que nada têm de imediato. Elas pretendem descolar-se da sensação vivida no momento da captura, apontando para uma experiência futura, inundada por sensações de alteridade. Beatriz diz que o projeto 00.33. "revela um exercício sobre contingências através de momentos aparentemente inertes.” Um conjunto de imagens que expressam um olhar em permanente vertigem e que procuram marcar a sua presença através da captura de instantes da realidade. Estes fragmentos são sublinhados pela luz do flash, conferindo-lhes uma autonomia totalmente díspar da experiência física do momento.

Cláudia Sequeira | "Penny for your Thoughts”

O projeto de Cláudia Sequeira "Penny for your Thoughts", tem várias vertentes em aberto e nas palavras da fotógrafa surge "da curiosidade que tenho pelo que vai na mente das pessoas.” O projeto começou numa pulsão voyeurística e consistia em passar uma câmara fotográfica analógica a várias pessoas (principalmente amigos). À vez iam fotografando o seu quotidiano, para que depois a fotógrafa se apropriasse das imagens e construísse narrativas visuais a partir delas. Durante o curso deste processo, sentiu a necessidade de investigar sobre si e a sua origem, em particular por procurar conhecer um pouco mais sobre o pai, que faleceu, quando ainda era criança. Dele herdou o amor pela fotografia, a câmara fotográfica e um conjunto de álbuns fotográficos (composto por provas impressas por ele e uma enorme quantidade de negativos).

Pegando novamente nas palavras da fotógrafa "É como se tivesse herdado a câmara e posteriormente lhe tivesse emprestado para ele fazer este projeto, antes de eu existir”, somos levados a testemunhar também este encontro, esta partilha e o legado, que se torna per si uma simbiose. Numa relação emocional com o arquivo do pai, Cláudia Sequeira tenta encontrar sentidos possíveis para as imagens. Apropriando-se delas, constrói novas narrativas, atualizadas pelo seu espírito inquieto, numa tentativa constante de ver o que "vai na mente” - o que ficou da mente do pai.

Francisco Painço Santos | Aetherius

O projeto "Aetherius", de Francisco Painço Santos apresenta como ponto de partida uma reflexão sobre as origens da nossa relação com a natureza. Concentra-se no termo Physis, que a entende como a totalidade das coisas, levando em conta os processos e os acontecimentos e não apenas os resultados materiais.

Pelas palavras do artista "O etéreo na natureza foi o ponto de partida para o desenrolar do projeto (...)” e neste sentido as imagens procuram a imaterialidade do lugar através do território do intangível, o etéreo. Negam-se a uma ação descritiva, como se esta fosse impossível. Apresentam-se como sugestões presentes na realidade, um conjunto de fragmentos, que remetem para lugares, ora imaginados, ora sonhados, ora desejados, mas nunca alcançados. Essas geografias sugeridas pelas imagens, alimentam-se do transitório, do passageiro, do reflexo, do inatingível e do que é difícil fixar.

BIOGRAFIAS



Nasceu na ilha de S. Miguel, Açores, em 1998.
Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, atualmente frequenta o Mestrado em Pintura na mesma instituição. Participou nas exposições coletivas, Galerias Abertas na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2018-2019), 9ª Edição da AAAVG (2018), Elogio da Matéria, Galeria Pintor Fernando de Azevedo, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa (2019), Prêmio SGPCM, FBAUL- Secretaria Geral da Presidência do Conselho de Ministros, Lisboa (2019), Contemporary Interventions on Memory – Dialogue and Silence, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2019), Com(posto), Cultivamos Cultura, Galeria da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2020) e na residência artística Summer School (2019), Cultivamos Cultura, Odemira.
O seu trabalho surge a partir de um questionamento e necessidade pelo encontro, na procura pela dimensão do alguém que somos, trabalhando estímulos, sensações e reflexões acerca do que é ser.

Beatriz Banha

Nasceu em Évora, em 1995.
Licenciada em Fotografia pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa. Em 2019, colaborou na publicação coletiva "[TASCAS] - Pelas tascas de Lisboa". Atualmente frequenta o mestrado em Estética e Estudos Artísticos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa.

Cláudia Sequeira

Nasceu em Alkmaar, Holanda, em 1997. Vive em Lisboa.
Licenciada em Fotografia, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa. Frequentou o curso artístico especializado de fotografia, na Escola Artística António Arroio. Participou na exposição Over & Out 2019, Convento de São Pedro de Alcântara, Lisboa.


Nasceu na Covilhã, em 1998.
Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, atualmente frequenta o Mestrado em Pintura na mesma instituição. Participou nas exposições coletivas, Galerias Abertas na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2018 e 2019) e 9ª Edição da AAAVG em 2018, Lisboa.
Através da fotografia preocupou-se em captar a dualidade entre o material e o imaterial, recortando a natureza com um intuito de criar composições do seu próprio imaginário, paisagens irreais e misteriosas, suscetíveis a diferentes interpretações.


Vive e trabalha em Lisboa.
Licenciado em Artes Plásticas pela ESAD-Caldas da Rainha, frequentou o programa Erasmus na Faculdade Belas Artes de Salamanca, Pós-graduação em Teorias da Arte na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, frequentou o programa de projeto individual no Ar.Co e é atualmente doutorando em Artes dos Media na Universidade lusófona.
Tem uma atividade plural no campo das artes visuais, como artista visual, projetos de curadoria, professor e mediador cultural. Colabora com instituições de ensino (Leciona no curso de fotografia da Universidade Lusófona e na ETIC) e museológicas, (destaca a colaboração com os serviços educativos do CCB e Museu Coleção Berardo).
No seu trabalho explora os meios do vídeo, instalação, imagem (fixa e com movimento) e desenho.
Têm apresentado com regularidade o seu trabalho desde inícios dos anos 2000, destacando-se (seleção): "The Eyes Are Not Here”- Orlando franco- Galeria Trem, Faro 2020; "WAIT” – artista e curador da exposição no Museu Coleção Berardo, 2019; ”Dans le Role”, Museu São João de Deus, telhal 2017; "Passado Contínuo - Residentes em Transito”, Alvito, 2016 - "Caixa- Considerações sobre o lugar, André Banha e Orlando Franco, Convento de Cristo, Tomar 2015”; "OBSERVATÓRIO DA ESPERA, DA LUZ E DO TEMPO #2 – André Banha e Orlando Franco – Trienal no Alentejo "Land Arte Cascais 2013”, "O Peso e a Ideia” – Plataforma Revólver, lisboa 2012 "Matriz Caldas – Museu do Hospital Termal, Caldas da Rainha 2011 "SUCKING REALITY”|Fuso, anual de vídeo arte internacional de Lisboa – BES Arte&Finança, Lisboa 2011 "…and then again…”Museu da Cidade – Pavilhão Preto, Lisboa 2010; "Enganar a Fome” – Espaço Avenida 211, Lisboa 2008; "Na Margem do Vísivel”, Sala Do Veado- MHN, Lisboa 2008; "Debaixo do Tapete” – Plataforma Revólver, Lisboa2007; "V Prémio City Desk”, Centro Cultural de Cascais; "Bartolomeu 5″ Lisboa 2005; "Anteciparte”, Lisboa 2004.

 
 

pesquisa
 
AGENDA