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Ciclo temático "Leituras críticas sobre a experiência da cidade"
2018-06-04 2018-06-04
FSCH e Videoteca


No âmbito de uma parceria entre o Arquivo Municipal de Lisboa | Videoteca e a IFILNOVA, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas das Universidade de Lisboa, vai decorrer no dia 4 de junho, na Videoteca (Largo do Calvário, 2), uma sessão especial integrada no ciclo temático "Leituras críticas sobre a experiência da cidade", promovido pelo Grupo Arte, Crítica e Experiência Estética, que reúne investigadores que trabalham em questões estéticas, explorando seu significado cultural e influência na nossa existência individual e coletiva.

Esta sessão especial, "Double Bill: Apropos London", terá o seguinte programa:

10h00-13h00 - A propósito de Londres: 'sinfonias urbanas' e 'passeios poéticos'” | Graeme Gilloch (Lancaster University, UK)
Sala 0.06 - Edifício I&D, piso 0 - FCSH, Av. de Berna, 26, Lisboa

15h00-18h00 - Visionamento de London de Patrick Keiller (1994)
Apresentação "Ruínas e fragmentos na Lisboa do cinema português dos anos 90" | Inês Sapeta Dias (Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca)
Discussão com Graeme Gilloch e Maria Filomena Molder
Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca, Largo Calvário, 2, Lisboa (edifício de A Promotora)

Entrada livre
Sessão em inglês, sem tradução simultânea



Resumos

Graeme Gilloch - O aclamado documentário a preto e branco de Alex Barrett, London Symphony: A Poetic Journey through the Life of a City (2017) dá-nos a oportunidade de fazer uma exploração crítica e de reconsiderar o género da sinfonia urbana, tal como foi inaugurado nos anos 20 pelo filme modernista de Walter Ruttmann, Berlin-Sinfonie einer Großstadt (1927). Situando o filme de Barrett em três contextos chave - como parte de um género histórico-cinematográfico particular; como um dos inúmeros filmes 'London' que retratam a capital; e, de forma mais lata, como um retrato oportuno desta metrópole global típica do século XXI - o capítulo analisa como é que esta homenagem cinematográfica exemplifica tanto os méritos estéticos como os defeitos políticos da ideia de uma sinfonia urbana. Com este propósito, baseio-me no mais perspicaz e inspirado crítico de Ruttmann - Siegfried Kracauer - para avaliar e interrogar este autoproclamado "passeio poético" de um homem com uma câmara de filmar digital pela metrópole contemporânea.

Inês Sapeta Dias - "Disse que Londres era agora uma cidade de fragmentos que não estavam já organizados à volta de um centro e que se viéssemos a encontrar a modernidade nalgum sítio, seria nos subúrbios. E foi assim que regressámos ao vale do rio Brent.”

Esta apresentação terá duas partes. Numa primeira, e logo a seguir ao visionamento de London, de Patrick Keiller (1994), seguiremos as noções de fragmento e ruína tal como são jogadas nesse filme (que é uma cartografia guiada por citações, de que se retirou a citação cima). Numa segunda parte a proposta é a de abordar os modos pelos quais os mesmos temas - ruína e fragmento – se jogam em Lisboa tal como é tratada pelo cinema português, sobretudo nos (mesmos) anos 90: desde a inclusão, literal, das ruínas do Chiado na textura de alguns filmes como Três Palmeiras (João Botelho, 1994) ou Recordações da Casa Amarela (João César Monteiro, 1989); até à ruína como a imagem de uma certa experiência de cidade – experiência irreconciliavelmente fragmentada que em filmes como Os Mutantes (Teresa Villaverde, 1998) culmina numa expulsão das personagens para fora do centro (da cidade e do plano).

 

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