Agenda

 
Mónica de Miranda
2020-02-18 2020-10-03
AML | Fotográfico


Esta exposição reabriu ao público a 18 de maio, respeitando as orientações da Direção Geral da Saúde, com as seguintes medidas de funcionamento definidas para contenção da pandemia causada pelo Covid-19:
  • Horário de visitas entre as 13h30 e as 16h30;
  • Lotação máxima de 5 visitantes em simultâneo;
  • Controlo de entradas;
  • Desinfeção de mãos à entrada e uso obrigatório de máscara;
  • Desinfeção dos equipamentos audiovisuais no final de cada visita.
A artista e investigadora circunscreve o seu trabalho em temas de arqueologia urbana e geografias pessoais, relatando vivências e contingências sociais, urbanísticas e culturais.

Esta mostra permite ver outros lugares dentro da cidade, citando e ficcionando uma Lisboa menos visível, que se tem mantido distanciada da construção/transformação mais alargada da urbe.

A exposição tem a curadoria de Bruno Leitão e Sofia Castro, e apresenta um conjunto de obras, fotografias e vídeos, que espelham o valor destes lugares que inspiram e desafiam, que questionam os contornos entre territórios, nas dimensões geográfica e humana.
 

Inauguração: 18 de fevereiro, 18h30
Exposição:de 19 de fevereiro a 03 de outubro

Finissage e lançamento do catálogo:03 de outubro,17h00
ENTRADA LIVRE



«O arquivo como espaço de empatia

Contos de Lisboa propõe encontrar uma forma de entender o arquivo não como algo estático, mas pelo contrário como algo em mutação. Um arquivo que provoque uma releitura da história da cidade e das suas identidades, a memória dos seus territórios, dos seus processos de resistência e afirmação. Um arquivo que mostra uma cidade que se reivindica também por se reinventar.

Quando em 2009 Mónica de Miranda iniciou a recoleção de fotografias criando um arquivo visual dos bairros limítrofes de Lisboa foi como se antecipasse a sua desaparição. Bairros como o Talude, Azinhaga dos Besouros, Fim do Mundo, Mira Loures, 6 de Maio e outros foram retratados pela artista. Todos estes bairros surgiram na denominada Estrada Militar, um conjunto de fortificações construída no final do século XIX, que constituía a linha de defesa da Cidade de Lisboa que deveria proteger a capital de invasões militares externas.

A estrada, actualmente continua a ser uma espécie de fronteira que "protege” a cidade contra invasões estrangeiras; sustém um significativo número de imigrantes e africanos de popular a cidade, obrigando-os a permanecerem na periferia de Lisboa, no seu limite, no limbo da vida na cidade.

Passados 10 anos desde o início do projecto fotográfico verificamos que a maioria destes bairros já não existem na forma em que Mónica de Miranda os fotografou, tendo sido demolidos na sua maioria. Esta exposição começa depois de dez anos de recolha de imagens nos bairros em redor de Lisboa. Mas as imagens que aqui se mostram não são as imagens que a artista fez destes bairros. São imagens que surgem posteriormente do seu processo artístico de reflexão sobre uma geografia composta por várias geografias, um tempo que se explica em muitos tempos, esta exposição condensa as possibilidades e sonhos de lugares e tempos da própria reinvenção da identidade e da história.

O arquivo da Estrada Militar de Mónica de Miranda mostra uma Lisboa que se quer ocultar, mas tende a afirmar-se nos seus limites. A sua investigação artística consequente em Contos de Lisboa não se esgota na demonstração de que existe uma cidade que resiste e cresce fora do seu centro. A artista mergulha num processo inquisitivo e humanizante destes lugares e ao ficcionar estes espaços cria um exercício de empatia. Uma possibilidade de reconhecermos emocionalmente uma Lisboa fora do centro, mas que se afirma por dentro.

A exposição Contos de Lisboa surge deste arquivo visual criado ao longo de uma década, mas é muito mais do que a recoleção fotográfica destes bairros, é um objecto polimórfico, uma continuação desse arquivo inicial composto por fotografias. (...)»

Excerto da folha de sala
Texto de Bruno Leitão



Rua da Palma, 246
1100-394 Lisboa
Segunda a sexta, das 13h30 às 16h30, encerra aos sábados, domingos e feriados


 
 

AGENDA