Laboratório 2

 
 
 



Laboratório 2: Cinema | Arquivo

18, 19 e 20 de abril de 2018

Cinemateca Portuguesa | Museu do Cinema



No Laboratório 2: Cinema/Arquivo propomos explorar e mapear as relações entre o Arquivo e o Cinema. A partir de uma reflexão sobre este encontro, procuraremos aqui averiguar e discutir que relações se estabelecem hoje entre as imagens em movimento e os modos do seu arquivamento e sobre as deslocações na forma fílmica que dele decorrem no contexto da criação.

Ao longo de três dias, estas perguntas estarão distribuídas por três mesas de trabalho que propõem, de cada vez, uma entrada particular no campo aberto pelo cruzamento entre o Arquivo e o Cinema: o trabalho com imagens pré-existentes e o paralelismo entre esse trabalho na prática fílmica e nos arquivos do cinema; as práticas arqueológicas que, no cinema, trabalham sobre os campos cegos do arquivo e mostram que este é também feito de buracos, ausências, destruições, esquecimentos; a ação disciplinar da programação e as práticas que operam para a subversão do princípio programático do Arquivo e do Cinema.

Cada mesa de trabalho é iniciada por uma projeção, o que permitirá enraizar a discussão numa observação do modo como as relações entre Cinema e Arquivo afetam a forma e a prática fílmica, seguindo-se um encontro com a participação de criadores, investigadores, programadores e arquivistas.

No Laboratório 2: Cinema/Arquivo os temas e questões propostos para discussão são:

Nesta primeira mesa de trabalho, a proposta é pensar o trabalho de apropriação de imagens confrontando o trabalho desenvolvido nos arquivos do cinema e o trabalho criativo desenvolvido na prática fílmica, uma vez que as "imagens de arquivo” colocam frequentemente questões semelhantes a cineastas e arquivistas – possuem um excesso indexical e uma abertura que conduzem a uma multiplicidade de leituras e significações dependendo dos contextos em que se inserem, que arquivistas procuram classificar, e que cineastas e artistas não cessam de explorar, produzindo com frequência "Contra-Arquivos” que questionam a própria noção de Arquivo.

O impulso arquivístico no cinema é indissociável da sua vocação arqueológica, ou seja, da sua capacidade de nos elucidar sobre o próprio funcionamento do(s) arquivo(s), no sentido de Michel Foucault.

2. ARQUEOLOGIA
A arqueologia é a disciplina que permite a descrição do arquivo, das regras que definem para o nosso tempo o que é dizível e visível, conservado, apropriado, reativado, mas também o que fica de fora, o que é reativado. Uma prática arqueológica cinematográfica supõe esta capacidade descritiva do cinema, de pelos seus próprios meios servir para inquirir o arquivo audiovisual contemporâneo, ou seja, as imagens-técnicas, incluindo as do próprio cinema, que articulam o que vemos, pensamos e fazemos, através da montagem.

Não se trata, pois, de operar a restituição de uma origem absoluta ou mítica para a qual apontam as imagens na sua relação com o mundo, mas de as deixar insinuarem-se como traços mais ou menos obscuros, de um impensado do seu tempo. Dão-se menos pelo que nelas é imediatamente visível do que pelo que nelas se inscreve de uma legibilidade imperceptível. É a sua suposta proveniência que se trata de interrogar e fazer diferir, como modo de assim interpelar a realidade, a história e o presente, ensaiando formas de criticamente as analisar, recompor, fazer colidir, religar e articular.

Esta mesa de trabalho organiza-se em torno da arqueologia enquanto prática fílmica que procura evidenciar a riqueza e singularidade de diversos registos audio-visuais, entendidos como documentos a retrabalhar e reescrever, manifestando os contra-campos ausentes das imagens, para fazer ver coisas que não são mostradas, no limite das imagens. Permite também refletir sobre a metamorfose funcional das imagens-técnicas contemporâneas, imagens que sugerem a interatividade e possibilidade de agenciamentos nas plataformas online, nomeadamente de ordem política e ativista, que urge pensar criticamente face ao seu reverso operacional de controlo e vigilância.


3. PROGRAMAÇÃO
Se desde logo é determinante para a definição do Arquivo (de qualquer arquivo), não apenas o que está dentro ou fora dele – sendo essa seleção um reflexo das decisões sobre o que pode ou não ser visto e dito –, mas também o contexto produzido com e para os objetos/documentos arquivados, a programação torna-se um problema fundamental para a definição do Arquivo no seu encontro com o Cinema.

Enquanto distribuição num espaço, mas também enquanto ordenação no tempo, a programação é uma função (diagramática, para usar o termo de Gilles Deleuze quando lê Foucault) que trabalha para colocar as imagens a funcionar de determinada maneira e num certo sentido, e que assim define, controla, orienta e dirige o que se vê e como. Trabalho que o algoritmo, série de operações que ordena a circulação das imagens em ambientes digitais, veio radicalizar: sequenciação de imagens fundada no estudo, tratamento e processamento de hábitos de consumo, a programação é hoje uma função que cada vez mais opera para prever, encaixar e manter os espectadores/utilizadores nos seus lugares – o que fará com que Jonathan Beller, numa proposta revolucionária, defina o inconsciente como um produto do cinema.

Nesta mesa de trabalho propomos observar e discutir a função disciplinar da programação e dar conta das práticas que, pelos meios disponibilizados pelas tecnologias digitais, procuram subverter o princípio programático do Arquivo e do Cinema, práticas que, fazendo a crítica do Arquivo, estão a criar novos e múltiplos arquivos, mais ou menos informais, todos eles radicais.

Acompanhe toda a iniciativa na página de Facebook.

ORGANIZAÇÃO Câmara Municipal de Lisboa /Arquivo Municipal de Lisboa / Videoteca
PARCERIA Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
PROGRAMAÇÃO Inês Sapeta Dias, Joana Ascensão, Susana Nascimento Duarte

INFORMAÇÕES
Telefone: 218 170 433 | E-mail: arquivomunicipal@cm-lisboa.pt

Em parceria com

Cinemateca PortuguesaIFILNOVA



Apoios
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