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TOPOGRAFIAS IMAGINÁRIAS Recordações da Casa Amarela, João César Monteiro
2016-05-18 2016-05-18
AML | Videoteca
 


Recordações da Casa Amarela, João César Monteiro (1989), 120'

Comentado por:
Joaquim Pinto (cineasta, engenheiro de som)
João Nicolau (cineasta)
Luís Ferro (arquiteto)

A cidade vista a partir do umbigo de João César Monteiro, primeiro filme da trilogia de Deus. Lisboa aparece do cruzamento entre o nobre e o miserável, os seus bairros mais populares são invadidos pela mais alta cultura, sempre vista de dentro, interior que no final, quando João de Deus é fechado no Hospital Miguel Bombarda e se encontra com antigas personagens (fantasmas?), é literal.

Em simultâneo, nos postos individuais de visionamento
Jaime, António Reis (1974), 35’
Fragmentos de um filme esmola: A Sagrada Família, João César Monteiro (1972), 72’
Quem espera por sapatos de defunto morre descalço, João César Monteiro (1970), 33’












Depois de num primeiro ano o ciclo TOPOGRAFIAS IMAGINÁRIAS ter descrito um percurso tanto temporal como espacial pela cidade de Lisboa, fazendo uma história do traçado da cidade tal como tem sido imaginado pelo cinema, nesta segunda edição faremos antes uma viagem pelo seu interior: como é que os espaços interiores foram captados pelo cinema e que papel têm eles nos filmes que os integram?
A proposta de base mantém-se: descobrir os modos pelos quais o cinema imagina (e com isso recria) a cidade. Mas desta vez as personagens não percorrem ruas nem fachadas, antes encerram-se em pequenos compartimentos, confinam-se a um quarto, a uma sala, a um teatro, e daí imaginam Lisboa, a cidade que está, assim, sempre do lado de fora, sempre em modo de memória, de projeção ou de expectativa. Os interiores aparecem nestes filmes como espaços com um desenho muito próprio que age sobre os destinos dos seus habitantes, pressionando-os, incentivando-os e finalmente catapultando-os para uma inevitável fatalidade.
O percurso deste ciclo não segue apenas, de modo mais literal, os espaços interiores. Segue também os espaços exteriores que, nestes filmes, não são mais do que uma projeção, sendo vistos, imaginados e concebidos sempre a partir de dentro. Das duas maneiras, o que este ciclo propõe, é a construção de uma leitura sobre a forma como estes espaços foram concebidos nos filmes, no sentido de reter sobre eles a imagem de uma arquitetura, que acaba por ser sempre, e acima de tudo, uma arquitetura emocional.

Uma co-programação Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca / Arquiteturas Film Festival (Alexandra Areia e Inês Monteiro)




 
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