Arquitetura II

 
 
 


Topografias imaginárias

Ciclo de visionamentos comentados - Arquitetura II

Durante o mês de maio a Videoteca do Arquivo Municipal de Lisboa promove a segunda edição do ciclo de visionamento comentado dedicado à arquitetura. José Manuel Costa, Jorge Silva Melo e João Nicolau, são alguns dos convidados que irão comentar os filmes desta edição: "Doc’s Kingdom”, "Ninguém duas vezes”, "Recordações da Casa Amarela e "A divina comédia”, todos rodados em Lisboa. O desafio é descobrir os modos pelos quais o cinema retrata, mas sobretudo, reinventa a cidade.


As Topografias Imaginárias não são contudo um ciclo de cinema. Cada sessão está organizada para se assistir à transformação da cidade (e do filme) acionada exclusivamente pelo olhar. Ao contrário do habitual, em cada sessão são projetados e comentados pelos convidados os excertos por eles escolhidos, e só no final se projeta o filme completo.

Pelo segundo ano consecutivo, o tema deste ciclo será a Arquitetura e resulta de uma parceria entre o Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca e o Festival Internacional de Cinema Arquiteturas. Desta vez, as personagens não percorrem contudo ruas nem fachadas, o percurso é antes feito pelo interior. O percurso deste ciclo de visionamentos comentados segue, não apenas, de modo mais literal, os espaços interiores dos quatro filmes selecionados – o apartamento, o teatro, o hospital-prisão, mas segue também os espaços exteriores que nestes filmes não são mais do que uma projeção, sendo vistos, imaginados e concebidos sempre a partir de dentro. Das duas maneiras, o que este ciclo propõe é uma leitura sobre a forma como estes espaços foram concebidos nos filmes, e de perceber neles a imagem de uma arquitetura que acaba por ser sempre, e acima de tudo é uma arquitetura emocional.

O ciclo começa no dia 4 de maio com o filme que Robert Kramer fez em Lisboa, em 1987 (Doc’s Kingdom), retrato de um desterro que é também do seu autor. O filme será comentado por José Manuel Costa (director da Cinemateca Portuguesa, professor, fundador do seminário internacional de cinema documental "Doc’s Kingdom”), Nuno Lisboa (investigador, programador, atual diretor do mesmo seminário) e Ana Vaz Milheiro (arquiteta, professora e investigadora).

No dia 11 de maio o ciclo continua com o raramente visto Ninguém duas vezes que Jorge Silva Melo realizou em 1985. Lisboa aparece neste filme como espaço dos sobreviventes e dos errantes, imagem final de um puzzle feito de espaços fechados: a casa, a igreja, o teatro (e o palco), o carro, espaços simultaneamente demasiado grandes e demasiado pequenos (apertados) para as personagens. Estarão na Videoteca para comentar este filme o próprio realizador, Jorge Silva Melo, Francisco Frazão (investigador e programador de teatro na Culturgest) e Susana Ventura (arquiteta e investigadora).

No dia 18 de maio, Recordações da Casa Amarela (João César Monteiro, 1989) será comentado por Joaquim Pinto (cineasta, amigo de João César Monteiro e engenheiro de som em muitos dos seus filmes), João Nicolau (cineasta, organizador de uma importante edição sobre o cinema de João César Monteiro e declaradamente influenciado pelo cineasta) e Luís Ferro (arquiteto, investigador, fundador e membro do Cinema-fora-dos Leões). Neste que é o primeiro filme da chamada Trilogia de Deus, a cidade é vista sempre a partir do "umbigo” de João César Monteiro, sendo assim, apesar de exterior, um espaço só interior, aspeto que o encerramento de João de Deus no Hospital Miguel Bombarda, quase no fim do filme, torna literal.

Finalmente, no dia 25 de maio Regina Guimarães (poeta e cineasta, co-realizadora da série O Nosso Caso sobre o cinema português) e José Neves (arquiteto, nomeadamente responsável pelo projeto do Cinema Ideal em Lisboa e organizador do ciclo "O lugar dos ricos e dos pobres no cinema e na arquitetura em Portugal”) comentam A Divina Comédia de Manoel de Oliveira (1992) que aparece neste ciclo como uma espécie de comentário a todos os filmes anteriores: não só é o mais radical na contenção espacial (não se sai, em nenhum momento, da casa de alienados por onde vagueiam as personagens), como clarifica, pelo seu rigor e radicalismo, todos os movimentos para que os filmes anteriores apontam: Lisboa e Portugal aparecem, no fim, como não-lugares, justamente casas de desterrados e esquecidos.

Esta iniciativa resulta de uma parceria entre o Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca e o Festival Internacional de Cinema "Arquiteturas”.



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