Programa

 
 
 
TOPOGRAFIAS IMAGINÁRIAS
6º ciclo de visionamentos comentados

28 Setembro - 19 Outubro - 9 Novembro - 7 Dezembro
vários locais | ENTRADA LIVRE

o som da cidade no cinema
SINFONIA URBANA

PROGRAMA

28 de Setembro | AML – Videoteca Largo do Calvário
LISBOA, CRÓNICA ANEDÓTICA* (1930), 88’
José Leitão de Barros

Lisboa, Crónica Anedótica foi um dos últimos filmes mudos feitos em Portugal – o primeiro filme sonoro foi lançado logo um ano depois, assinado pelo mesmo José Leitão de Barros. Há, contudo, na sua estrutura elementos sonoros e musicais que o tornam (paradoxalmente) incontornável num ciclo sobre o som da cidade no cinema. Consensualmente apontado como uma variação portuguesa do (quase) género das sinfonias urbanas cinematográficas – muito popular na Europa por volta dos anos em que também este filme foi realizado – Lisboa, Crónica Anedótica replica alguns dos elementos visuais e estruturais que colocam a palavra "sinfonia” na descrição desse género. Seja porque integra sequências cujo elemento mais forte é o ritmo (dos objectos ou da montagem), seja porque explora os recursos cinematográficos disponíveis para representar visualmente o som, o filme provoca perguntas sobre o que é o som, no cinema, e sobre a relação que este estabelece com a música.

Mesmo não tendo som de facto, Lisboa, Crónica Anedótica é então um retrato total da cidade no princípio do século passado, retrato construído por um cineasta que é também um dos principais responsáveis pela estabilização da imagem do Estado Novo – o que torna inevitável discutir a permanência desta imagem de Lisboa, ainda hoje.

21h30 - sessão de cinema ao livre (o filme sonorizado ao vivo pelo som da cidade)

19h30 - Lançamento do livro Um mapa de Lisboa no Cinema
co-edição AML – Videoteca / Dafne Editora

Um mapa de Lisboa no Cinema é uma deambulação pela cidade através das imagens e das ideias de uma série de filmes. Construído com base na transcrição das sessões dedicadas à arquitetura do ciclo Topografias Imaginárias - organizado desde 2015 pelo Arquivo Municipal de Lisboa -Videoteca, o livro resulta da sobreposição de duas topografias: a topografia dos filmes então programados e a topografia da cidade. Num método próximo da montagem cinematográfica, reordenaram-se fragmentos das intervenções e reorganizaram-se as imagens projetadas nas sessões. Este livro é um mapa simultaneamente real e imaginário, espacial e temporal, da cidade de Lisboa.

*Esta sessão conta com o apoio da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema

19 Outubro | Grupo Desportivo da Mouraria Travessa da Nazaré
BELARMINO (1964) 80’
Fernando Lopes

O 2º andamento de uma sinfonia é tradicionalmente um adagio, um tempo musical entre o lento e o andante. Belarmino é um filme que rompe com a tradição e pede de empréstimo os ritmos e o swing ao jazz oriundo do Hot Clube de Portugal, porém é ainda a tonalidade melancólica da banda sonora original de Manuel Jorge Veloso que acompanha o pugilista no seu treino, nas suas esquivas e nas deambulações pelas ruas da baixa lisboeta, não obstante os impulsos libertadores do trompete de Milou Struvay. São ainda os acordes menores e os ritmos de balada que emolduram a fotografia rugosa de Augusta Cabrita e as atmosferas grisalhas das praças e dos bas-fonds enfumarados, numa Lisboa emudecida à espera de redenção.

15h30 - visionamento comentado por Bernardo Moreira, Manuel Jorge Veloso e Manuela Viegas
17h30 - projeção do filme completo

9 Novembro | Casa do Alentejo Rua das Portas de Santo Antão
KILAS, O MAU DA FITA (1980), 124’
José Fonseca e Costa

Kilas, o mau da fita apresenta-se como um filme onde a música é constitutiva à narrativa cinematográfica. Como um terceiro andamento, a sua potência musical é evidente na própria concepção em forma ABA, abertura que é já o final, minueto que se transmuta em tango e em que o grito lancinante da sirene da ambulância se transforma, em retrospectiva, como o anúncio da perda, a ferida que percorre todo o filme e que culmina no solo instrumental do clarinete da Valsa da Ana. Com música, e argumento, de Sérgio Godinho, Lisboa aparece através dos seus personagens cuja substância é musical — do Fado do Kilas à Balada da Rita, no início a cappella e na sua conclusão em disco, junta-se-lhe a sonoridade característica de um certo linguajar urbano.
A aurora, que abre e fecha este filme, recorta-se no telhado de vidro do único espaço que sobrevive, íntegro, na Lisboa de agora.

15h30 - visionamento comentado por João Pedro Cachopo e José Bértolo
17h30 - projeção do filme completo

7 Dezembro | Marítimo Lisboa Clube Calçada da Bica Grande
A JANELA (MARYALVA MIX) (2001), 104’
Edgar Pêra

No filme A Janela (Maryalva Mix) o som é um elemento excessivo sugerindo uma atmosfera tão alegre como o local que personifica, o pitoresco Bairro da Bica, e as personagens que surgem, as variações humorísticas dos Antónios. O filme, marcado por um ritmo inconstante e exuberante que desfigura os sons naturais, apresenta a música popular dos ‘Phados’ compostos por Pedro Ayres Magalhães e Paulo Pedro Gonçalves. Qual 4º andamento de uma sinfonia, através da montagem de ritmos mais rápidos ou mais melódicos, a montagem audiovisual do filme expõe-se como sendo o próprio moto perpetuo do elevador da Bica.

15h30 - visionamento comentado por Branko NeskovPatrícia Castello Branco e Ricardo Vieira Lisboa
17h30 - projeção do filme completo



Outras informações:
Telefone: 218 170 433 ou através do e-mail: arquivomunicipal@cm-lisboa.pt



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