Abril 2018

 
 
 
[D. João V solicita a colaboração monetária para ajuda ao resgate geral de Mequinez]
 

RESGATE DE CATIVOS

Descrição: [D. João V solicita a colaboração monetária ao Senado da Câmara de Lisboa para ajuda ao resgate geral de Mequinez]
Data: 1707-06-21
Código de referência: PT/AMLSB/CMLSBAH/CHR/010/0032/0038

O documento que destacamos este mês pertence ao Livro 1º de Consultas e Decretos de D. João V do Senado Oriental, f. 186 a 187, é datado de 21 de junho de 1707, e nele D. João V solicita a colaboração monetária ao Senado da Câmara de Lisboa para ajuda ao resgate geral de Mequinez. O rei pretendia resgatar mais de duzentos portugueses cativos e, por outro lado, queria que este pedido fosse um exemplo para as outras câmaras do reino.

O documento está exposto na exposição Entre a cruz e o crescente: o resgate de cativos, organizada pela Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB) e pela Câmara Municipal de Lisboa, através da qual se pretende assinalar os 800 anos da fundação do Convento da Trindade em Lisboa, e que estará patente ao público no Arquivo Nacional Torre do Tombo até 7 de julho de 2018.

A partir do século XII surgiram várias ordens religiosas vocacionadas para o resgate de cativos, mas seriam as ordens redentoras da Santíssima Trindade e de Nossa Senhora das Mercês que se iriam dedicar, em exclusivo, a esta atividade.
Foi em pleno movimento da Reconquista Cristã da Península Ibérica que surgiram em Portugal os primeiros religiosos da Ordem da Santíssima Trindade. Os primeiros conventos desta Ordem foram instalados em Santarém em 1207 e em Lisboa em 1218. Um pouco por todo o país foram edificados conventos trinitários, favorecendo o trabalho de resgate de cativos, processo complexo e constituído por várias etapas que estão definidas pelo Regimento da Redenção dos Cativos de D. Afonso V.

Os frades trinitários tiveram sempre a seu cargo a organização e a negociação do resgate de cativos no Norte de África, apenas com um interregno, quando D. Afonso V criou o Tribunal da Redenção dos Cativos para este efeito. Vários foram os resgates feitos ao longo dos séculos, sendo o último o resgate de cativos portugueses de Argel em 1812.

Encontre este e outros documentos na sala de leitura da base de dados do Arquivo, utilizando as palavras-chave de pesquisa: resgate; Mequinez; redenção; cativos.

Consulte esta e outras imagens aqui.  

Veja também  informação alusiva à temática num artigo da autoria de Edite Alberto, publicado no número 3 da nossa revista científica Cadernos do Arquivo Municipal, Corsários argelinos na Lisboa do século XVIII: um perigo iminente.


Leia mais sobre este assunto:

ALBERTO, Edite Maria da Conceição Martins – As instituições de resgate de cativos em Portugal: sua estruturação e evolução no século XV. Lisboa: [s.n.], 1994. Dissertação de Mestrado em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

ALBERTO, Edite Maria da Conceição Martins – Um negócio piedoso: o resgate de cativos em Portugal na Época Moderna. Braga: [s.n.], 2010. Tese de Doutoramento em História (Conhecimento de Idade Moderna), Universidade do Minho.

BEIRANTE, Maria ÂngelaO resgate de cativos nos reinos de Portugal e do Algarve (séc. XII-XV). In Jornadas de História Medieval do Algarve e Andaluzia, 3, Loulé, 1989 – Actas. Loulé: Câmara Municipal de Loulé, 1989.

BRAGA, Isabel M. R. Mendes Drumond – Contribuição monetária das comarcas portuguesas para a obra de redenção de cativos (1523-1539). Bragança: [s.n.], 1994.

BRAGA, Paulo Drumond – Os trinitários e o resgate de cativos: o caso de 1728-1729. In Congresso Internacional de História – Missionação Portuguesa e o encontro de culturas: actas. Braga: [s.n.], 1993. vol. III, p. 483-489.


 

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