Dezembro 2014

 
 
 
Envio de tropas expedicionárias para Moçambique, no cais de Santa Apolónia, 1914-09
 
Primeira Guerra Mundial

Descrição:
O paquete "Durham Castle” prestes a largar com destino a Moçambique Cais da Rocha do Conde de Óbidos, Alcântara, Lisboa

Data: 11/09/1914

Código de referência: PT/AMLSB/FRA/000029

O Arquivo Municipal de Lisboa detém uma biblioteca de apoio onde se encontram publicações centenárias. Entre elas destaca-se a Ilustração Portuguesa a propósito dos cem anos do início da Primeira Guerra Mundial. Alguns números desta publicação do ano de 1914 dão-nos conta da primeira intervenção, embora não oficial, de Portugal neste conflito. 

A 11 de setembro de 1914, Portugal enviou para as colónias africanas o primeiro contingente especial de tropas portuguesas para travar as pretensões territoriais da Alemanha no sul de Angola e no norte de Moçambique postas em prática desde 25 de agosto, através de uma guerra de guerrilha e da sublevação dos nativos contra as autoridades coloniais portuguesas. 

O então coronel Alves Roçadas comandou a expedição destacada para assegurar a soberania portuguesa em Angola, composta pela 2ª bateria do regimento de artilharia de montanha, 3º esquadrão do regimento de cavalaria nº 9, 3º batalhão do regimento de infantaria nº 14 e 2ª bateria do 1º grupo de metralhadoras que partiram no vapor "Moçambique”. 
Os conflitos em Angola revelar-se-iam mais graves do que em Moçambique, por isso o governo português enviou um reforço da guarnição em novembro e dezembro de 1914, ainda sob o comando de Alves Roçadas.

Para a missão em Moçambique, foi destacado o tenente-coronel Massano de Amorim que comandou a 4ª bateria do regimento de montanha, 4º esquadrão de regimento de cavalaria 10 e 3º batalhão do regimento e infantaria 15. Partiram no paquete "Durham Castle”.

Estas expedições, que envolveram cerca de 1600 efetivos cada uma, tomaram caráter de um grande acontecimento nacional. Depois de desfilarem desde a praça Marquês de Pombal até à praça do Município, as colunas das forças expedicionárias passaram à frente da Câmara Municipal de Lisboa em cuja varanda se encontravam, entre outros, o presidente da república, Manuel de Arriaga, Afonso Costa, António José de Almeida, Brito Camacho. O povo de Lisboa satisfeito com a tomada de decisão do governo pela defesa das colónias foi com manifestação de verdadeira apoteose que se despediu dos expedicionários e aclamou vibrantemente o Chefe de Estado e as instituições. 

A imagem em destaque que mostra o paquete "Durham Castle” que transportou o destacamento militar com destino a Moçambique encontra-se entre a coleção de fotografias da autoria de Anselmo Franco (1879-1965) existente no Arquivo Municipal de Lisboa|Fotográfico. Uma imagem semelhante à que se apresenta, foi publicada na Ilustração Portuguesa nº 448 de 21 de setembro de 1914, todavia, da autoria de Joshua Benoliel, contemporâneo de Anselmo Franco, que se encontrava num local mais aproximado do navio.



Bibliografia:

TEIXEIRA, Nuno Severiano (coord.)– Portugal e a guerra : história das intervenções militares portuguesas nos grandes conflitos mundiais (sécs. XIX-XX). Lisboa: Colibri, 1998.

REIS, António (dir.) – História do século XX. Lisboa: Alfa,1995.Vol. 2.

SAMARA, Maria Alice – Verdes e vermelhos: Portugal e a guerra no ano de Sidónio Pais. 1ª ed. Lisboa: Notícias, 2003.

MATTOSO, José (dir.) – História de Portugal. Lisboa: Estampa, 1993-1994. 6º vol.

SERRÃO, Joaquim Veríssimo – História de Portugal. Lisboa: Verbo, 1990. Vols. 11 e 12.

RAMOS, Rui, SOUSA, Bernardo Vasconcelos e, MONTEIRO, Nuno Gonçalo – História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2009.

AZEVEDO, Luiz Gonzaga de – História de Portugal. Lisboa: Edições Bíblion, 1940

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