Fevereiro 2016

 
 
 
 
 Edital nº 3/71da Câmara Municipal de Lisboa

Edital nº 3/71da Câmara Municipal de Lisboa: Alteração do topónimo avenida da Conquista de Ceuta para avenida de Ceuta


Em 2015, a avenida de Ceuta em Lisboa fez 100 anos de existência, coincidindo esta data com a comemoração dos 600 anos da conquista de Ceuta que deu início a um dos momentos assinaláveis da história de Portugal, a expansão portuguesa.

Logo em 1915, na comemoração dos quinhentos anos da conquista de Ceuta, a atribuição deste topónimo a uma artéria que viria a ser de grande utilidade nas ligações à cidade de Lisboa reconhecia a importância de uma data tão determinante. Por isso, em resposta a um ofício da Commissão Académica do Centenario de Ceuta, que solicitava a atribuição a uma das novas avenidas ou ruas o nome da cidade conquistada, a Câmara Municipal de Lisboa, por deliberação de 4 de março, conferiu o topónimo de avenida da Conquista de Ceuta a uma grande artéria que nascia no vale de Alcântara.

Mais tarde, em edital de 5 de janeiro de 1971, o topónimo veio a ser alterado por "ser conhecida pelo vulgo apenas por Avenida de Ceuta”, tal como se designa hoje. Este edital, à guarda do Arquivo Municipal de Lisboa, é agora divulgado a propósito da comemoração do sexto centenário da conquista.

A relevância desta avenida compreende-se através da análise da história do vale de Alcântara cujo papel como zona charneira dos movimentos da cidade, e também para o seu interior, lhe conferiu um grande significado em relação a outras áreas, colocando-a também como principal plataforma de mobilidade à escala metropolitana, refletindo-se no dinamismo da economia da cidade.

Fora também a importante localização estratégica de Ceuta, sobretudo pelas rotas do comércio que circulavam no Mediterrânio e que lá afluíam, tornando-a num importante entreposto comercial, que levou Dom João I, em 1415, a empreender a conquista daquela cidade, consumada em 21 de agosto desse ano.

Desde então, as redes de comércio das duas cidades aproximaram-se com a integração de Ceuta nas linhas mercantis portuguesas, sendo necessária a criação de uma instituição para aprovisionar e enviar tudo o que fosse fundamental à sua manutenção e à de outas posições estratégicas portuguesas no norte de África. Surge assim a Casa de Ceuta – embora com existência só comprovada em 1434 – na Ribeira de Lisboa, onde se concentravam as principais atividades relacionadas com a expansão. 

Esta ligação levou a que fossem mutuamente assimilados uma série de fatores culturais e arquitetónicos que perduram até ao presente, como a semelhança das respetivas bandeiras, toponímia, aspetos arquitetónicos de edifícios, expressões populares, as obras literárias e plásticas. Semelhanças já reconhecidas em relatos de viajantes ao longo do tempo.

Considerando a importância deste acontecimento histórico, a Câmara Municipal de Lisboa e o Governo da Cidade Autónoma de Ceuta decidiram evocar conjuntamente os 600 anos da conquista de Ceuta através de uma série de iniciativas culturais e científicas, entre as quais se destaca uma exposição patente ao público nos Paços do Concelho até finais de fevereiro e que posteriormente será exibida em Ceuta. O Arquivo Municipal de Lisboa, inserido neste evento, dedicou o nº 4 da 2ª série dos Cadernos do Arquivo Municipal ao tema de Ceuta. O elo de ligação entre os dois poderes autárquicos (Lisboa e Ceuta) foi estabelecido pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa que, tendo celebrado uma parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, se expressa no lançamento de projetos e eventos científicos e culturais, na colaboração ao nível dos estudos pós-graduados e na promoção do estudo de coleções arqueológicas à guarda do município.


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Fontes e bibliografia:

Atas das sessões da Câmara Executiva de 1915. Lisboa: Câmara Municipal, 1915.

Atas das Sessões da Camara municipal de Lisboa de 1915. Lisboa: Imprensa Municipal, 1925.

BRAGA, Paulo Drumond – Uma lança em África: história da conquista de Ceuta. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2015.

Cadernos do Arquivo Municipal. Lisboa: Arquivo Municipal. 2ªSérie Nº 4 (dezembro 2015), p. 219 -238.

DUARTE, Luís Miguel – Ceuta 1415: seiscentos anos depois. Lisboa: Livros Horizonte, 2015. 264 p.


Edital Nº3/ 71 – [Alteração do topónimo Avenida da Conquista de Ceuta para Avenida de Ceuta]. Arquivo Municipal de Lisboa, Processo 485/DAG/PG/1971.

MENEZES, José de Vasconcellos e – Tercenas de Lisboa III. Lisboa Revista Municipal. Lisboa: Câmara Municipal. 2ª Série Nº 19 (1987), p.3-14.

MONTEIRO, João Gouveia; COSTA, António Martins – 1415, a conquista de Ceuta. Barcarena: Manuscrito, 2015.

TEIXEIRA, André; PAREDES, Fernando Villada; SILVA, Rodrigo Banha da – Lisboa 1415 Ceuta: história de duas cidades. Ceuta: Ciudad Autónoma de Ceuta; Lisboa: Câmara Municipal, 2015. Catálogo da exposição.

ZURARA, Gomes Eanes de – Crónica da Tomada de Ceuta. Lisboa: Publicações Europa-América, 1992.



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