Janeiro 2016

 
 
 
 


JANEIRAS

Descrição: D João I aprova legislação sobre práticas pagãs e religiosas em Lisboa
Data: 3 de novembro de 1385
Código de referência: PT/AMLSB/CMLSB/CHR/0014/0011

Entre as tradições populares portuguesas encontra-se a prática das Janeiras, uma tradição ancestral que consiste em cantar as boas festas, habitualmente, entre o Natal e o Dia de Reis, desejando votos de prosperidade para o Ano Novo. Estes cantos eram feitos de porta a porta por grupos de pessoas (em épocas remotas, à porta dos mais abastados).

São vagos os estudos sobre a origem das Janeiras. Uma abordagem através da história oral permite concluir que, no seio popular, o Cantar as Janeiras é tomado como sinónimo de Cantar os Reis. No entanto, sabe-se que a tradição das Janeiras deriva de costumes pagãos, tal como outras tradições cristãs: os romanos comemoravam a entrada no novo ano em nome de Janus, o porteiro celestial, deus do passado e do futuro, que fechava a porta do ano que findava e abria a porta do que se iniciava. Janus terá dado origem à denominação do primeiro mês do ano, janeiro, que se inicia depois do solstício de inverno. Por conseguinte, a tradição de Cantar as Janeiras está associada a este costume dos romanos.

O Cantar os Reis é, por sua vez, uma tradição cristã que corresponde ao epílogo da quadra festiva de Natal. Os Reis, segundo a Bíblia, correspondem aos três magos, Baltazar, Belchior e Gaspar que vieram dar as boas vindas ao Messias, que nasceu pouco depois do solstício de inverno, ofertando-o com incenso, ouro e mirra. Por conseguinte, esta é uma tradição que pretende evocar a adoração ao menino Jesus.
Pelas analogias da intenção da cada uma destas práticas, a tradição popular, ao longo do tempo, incutiu-lhes uma certa simbiose, fundindo-as num só propósito.

No mês destas tradições, o Arquivo Municipal de Lisboa divulga um interessante documento em pergaminho que corresponde a um caderno com 3 peles e 6 fólios do Livro 1º de D. João I, datado de 3 de novembro de 1385, no qual o rei aprova normas decididas pelo concelho de Lisboa depois do dia da Batalha de Aljubarrota, a 14 de agosto de 1385, sobre práticas pagãs e religiosas em Lisboa.

Neste documento, o rei estipula, a partir desta data, a proibição de cantar as Janeiras na cidade de Lisboa e seu termo. Quem fizer o contrário é punido em cinquenta libras, das quais metade é para o acusador e a outra metade para o concelho. Se não proceder ao respetivo pagamento, será degradado da cidade e termo, através de pregão público. 

Também determina que, quem emprestar bestas, vestuário, joias ou outros acessórios, perde o direito a eles, sendo dados ao acusador e ao concelho. 

Para que todo o estabelecido seja cumprido, deve-se fazer inquirição pelas freguesias da cidade e termo verificando se os estatutos são cumpridos e não incorrem na prática de idolatria ou nos costumes dos gentios.

Para os homens se reconciliarem com Deus, o rei estabelece que se façam três procissões solenes: a primeira no dia 1 de janeiro, na Igreja Catedral, em honra do nascimento e circuncisão de Jesus Cristo; A segunda no dia de Santiago e de S. Filipe, quando se festejar a Maia (festa popular nos primeiro dias do mês de maio) em honra da Virgem Maria; a terceira, no dia de Santa Cruz, em honra de Vera Cruz.




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