Julho 2015

 
 
 
 
Clube de Futebol Os Belenenses

Clube de Futebol Os Belenenses



Descrição: Equipa do Clube de Futebol Os Belenenses

Data: s/ data 

Código de referência: PT/AMLSB/FEC/000130


O Arquivo Municipal de Lisboa é detentor de um espólio com valor patrimonial único para a história da cidade e da fotografia. Entre este encontram-se fotografias que evocam momentos da relação da fotografia com o futebol, que vão da primeira década do século XX à atualidade. São fotografias históricas, da autoria de renomados fotógrafos como Joshua Benoliel, Ferreira da Cunha ou Amadeu Ferrari, foram realizadas para ilustrar páginas de imprensa.

A fotografia apresentada, sem data, é da autoria de Álvaro Abranches Ferreira da Cunha. Trata-se de um negativo de gelatina e prata em vidro, com 9 x 12 cm, apresenta 11 jogadores da equipa de futebol do Clube de Futebol Os Belenenses, fundado em Lisboa a 23 de setembro de 1919. No final do campeonato de futebol da época futebolística de 1918-1919, o jogador Artur José Pereira deixou o Sporting Clube de Portugal com a intenção de formar um clube com o nome da sua terra, Belém. A ideia evoluiu e Artur José Pereira acabou por ser acompanhado por alguns jogadores do Sport Lisboa e Benfica. Desta forma, no final de agosto de 1919 começaram as primeiras iniciativas para a formação do Belenenses, designação popular pela qual ficou conhecido, graças à ação de figuras como Artur José Pereira e o seu irmão Francisco Pereira. 

O primeiro jogo efetuado pela equipa do Belenenses realizou-se a 8 de novembro de 1919, no Campo Grande, com o Clube de Futebol Os Belenenses a perder com o Vitória Futebol Clube, também conhecido como Vitória de Setúbal, por 1-0, na disputa da Taça "Associação". A 21 de janeiro de 1920, o Belenenses jogou o seu primeiro grande clássico, contra o Benfica, a quem ganhou por 2-1, no estádio do Lumiar. A estreia internacional do clube de Belém deu-se a 10 de junho de 1921, no dia de Portugal. O Belenenses ganhou ao Sevilha, de Espanha, por 2-0. Foi também nesse ano que o clube conquistou o seu primeiro troféu, a Taça "Mutilados de Guerra", organizada pela Associação de Futebol de Lisboa, vencendo na final o Sporting por 2-1.

Em 1942, o Belenenses inscreveu o seu nome entre os maiores clubes do futebol português, ao conquistar a Taça de Portugal. Quatro anos mais tarde, na época de 1945/46, o Belenenses atingiu o ponto mais alto do seu historial, ao sagrar-se campeão nacional de futebol (antes disso, já conquistara, por três vezes, o Campeonato de Portugal, já que antes da temporada de 1938-39, a Taça de Portugal era conhecida como Campeonato de Portugal e o vencedor era considerado o Campeão Nacional de Portugal), tornando-se assim no único clube, para lá do Sport Lisboa e Benfica, Sporting Clube de Portugal, e Futebol Clube do Porto, a conquistar um título da I Divisão no futebol português até ao final do século. Mais tarde, na época de 2000-2001, também o Boavista Futebol Clube foi campeão nacional de futebol.

As ambições do clube motivaram a ideia de construção de um novo estádio, que começou a ser construído em 1953. A 23 de setembro de 1956, foi inaugurado o estádio do Restelo, que custou na altura 34 mil contos (169.591 euros). O primeiro desafio efetuado no novo estádio foi o Belenenses-Sporting, que os anfitriões ganharam por 2-1.

Em 1960, o clube voltou a vencer a Taça de Portugal, feito que apenas viria a ser repetido em 1989. Na história do Clube de Futebol Os Belenenses, distinguem-se figuras como Artur José Pereira, o seu fundador, Matateu, que ganhou a Bota de Prata de melhor marcador do campeonato em 1953 e 1955, Pepe, um dos primeiros jogadores de exceção do clube, que morreu tragicamente em 1931, com apenas 22 anos, e Vicente, defesa que fez parte da Seleção Nacional que alcançou o 3.o lugar no Mundial de Inglaterra, em 1966, entre outras personalidades.

Em 2005/2006 o Belenenses viveu um dos piores momentos do seu historial ao baixar à II Liga, onde já tinha estado em 1991/92 e 98/99. 

O emblema do Belenenses é relativamente simples e pouco se alterou do original, apenas com mudanças nas cores, nos padrões, e no escudo. O emblema atual é constituído por um escudo branco (com margens azuis), duas faixas azuis em X (com margens brancas), a Cruz de Cristo ao centro e as iniciais do clube (CFB) foram postas em três dos quatro espaços brancos (em preto).

Ao longo da sua história, o Clube de Futebol Os Belenenses recebeu do Governo e de outras Entidades Públicas vários títulos e condecorações, nomeadamente: Instituição de Utilidade Pública, Comendador da Ordem Militar de Cristo, Oficial da Cruz de Benemerência, Ordem da Benemerência da Cruz Vermelha, Benemérito da Cruz de Malta, Medalha de Mérito Desportivo, e Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.

Ferreira da Cunha nasceu em Lisboa, a 5 de março de 1901, filho de Eduardo Abranches Ferreira da Cunha, juiz do Tribunal da Relação, do Conselho de Sua Majestade e deputado da Nação, e de Palmira Aida Martins Neves. Fez o curso de Letras do liceu de Camões. O interesse pela fotografia, estimulado naquele liceu, afastou-o dos estudos. Aos 18 anos matriculou-se no 7º ano do liceu, mas em janeiro de 1920 transitou para o ensino doméstico. Casa em dezembro de 1921 com Matilde Amélia Pinto e, mais tarde, o casal vai viver para Moçambique com a mãe e o padrasto de Ferreira da Cunha, nome pelo qual ficou conhecido. A filha - Maria Libânia - nasce neste país em 18 de fevereiro de 1924. Durante a estadia em Moçambique Ferreira da Cunha dedica-se à fotografia para edição de postais. Regressa a Lisboa em meados de 1925, trabalhando como repórter fotográfico em jornais desportivos e revistas, até que João Pereira da Rosa, diretor de O Século, o convida a integrar os quadros do jornal, em 1926. Paralelamente, em 1928, inicia a colaboração com O Notícias Ilustrado, e em 1938 com O Século Ilustrado, ambos dirigidos por José Júlio Leitão de Barros. Este jornalista e realizador de cinema levou-o a colaborar, na área da fotografia, nos filmes Lisboa, crónica anedóctica (1930), Maria do Mar (1930), a Severa (1931) e Camões - erros meus má fortuna amor ardente (1946). Fora do jornalismo participou em obras publicadas pelo Secretariado da Propaganda Nacional, nomeadamente nos álbuns Portugal 1934 e Portugal 1940 (catálogo da Exposição do Mundo Português). Em agosto de 1933, passou para os quadros do Diário de Notícias, assumindo as funções de chefe de secção de reportagem fotográfica, onde permaneceu até à data da sua morte, a 21 de julho de 1970. 

Em traços globais, a sua produção como repórter fotográfico incidiu sobre as seguintes temáticas: acontecimentos políticos e militares marcantes (o golpe militar de 28 de Maio de 1926, a revolta de 3 de Fevereiro de 1927 no Porto); atos oficiais e de Estado (a visita presidencial às colónias em 1939, a inauguração do monumento ao Cristo Rei em 1959); eventos desportivos (a volta a Portugal em bicicleta e jogos de futebol); Lisboa nas suas múltiplas vertentes (a arquitetura, a vida quotidiana, o teatro de variedades e de revista, as profissões tradicionais, as festas populares). Em 1932, foi distinguido com o Prémio de Honra da Exposição Industrial Portuguesa, na categoria reportagem fotográfica.


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Bibliografia:

Catálogo da exposição Coleção Ferreira da Cunha. Org. Câmara Municipal de Lisboa. Direção Municipal de Cultura. Arquivo Fotográfico Municipal, Lisboa. 2003.

Ceitil, José. Clube de Futebol Os Belenenses , 90 Anos de História. Lisboa: Âncora Editora. 2009.

DUARTE, António Júlio; Letria, Pedro; Catrica, Paulo. Uma cidade de futebol. Lisboa: Arquivo Fotográfico Municipal e Assírio & Alvim. 2004.


Linheiro, Ana. Clube de Futebol «Os Belenenses» - Datas e Factos Memoráveis de 1919-1999. Lisboa: GC Designer. 2011.

SENA, António. História da Imagem Fotográfica em Portugal: 1839-1997. Porto Editora. 1998, pp. 239-240.



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