Maio 2015

 
 
 
 


Cartaz de José Neves Águas sobre o 1.º de Maio

Descrição: 1 Maio
Data: 1986
Código de referência: CAR NA B217


O Arquivo Municipal de Lisboa tem à sua responsabilidade uma coleção de cerca de 6.000 cartazes, que vão desde 1940 à atualidade. Entre esta documentação encontra-se o espólio Neves Águas, adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa, por compra, à família, em 1992. Trata-se de um dos mais notáveis acervos reunidos para o período imediatamente posterior à revolução de 25 de abril de 1974 a 1989, constituído por 3.300 espécimes, bastante raros, a maior parte (aproximadamente 2.500) de natureza político-partidário e sindical. Muito significativos, dada a percentagem que representa no conjunto desta coleção, os cartazes de carácter político-partidário de propaganda eleitoral, foram editados por ocasião de vários sufrágios legislativos, autárquicos e comunitários. Como salientado, são também dignos de nota, os cartazes ilustrativos da luta sindical desenvolvida dentro do período cronológico abrangido pela coleção.

Estes cartazes são imprescindíveis para a compreensão da história da nova democracia republicana e particularmente da agitação político social entre 1974 a 1976, seja pela expressão iconográfica e informação escrita que contêm, seja pelos sinais de uso que ostentam. A especificação temática desta coleção, aliada ao carácter precário dos suportes (acentuado em períodos politicamente agitados), justifica que ela tenha sido já considerada como uma das mais importantes coleções de cartazes políticos do pós 25 de Abril de 1974.

O espólio Neves Águas também é constituído por coleções de documentos de carácter ideológico-partidário correspondente ao período correspondido entre 1950 e 1989. A documentação anterior a 1974 ocupa apenas quatro das quarenta e quatro caixas da coleção e encontra-se organizada em dossiers temáticos, ordenados cronologicamente, pelo proprietário. Trata-se de recortes de jornais, panfletos, documentos dactilografados de várias associações de estudantes, testemunhando alguns aspetos da oposição ao regime, ou com carácter de propaganda ideológica. 
A documentação posterior a 1974 tem um carácter marcadamente partidário e é constituída por panfletos de divulgação de comícios, de defesa dos direitos dos trabalhadores de várias áreas de atividade, manifestos e artigos de jornais. 
Merecedor de referência dentro desta coleção é um conjunto de autocolantes de vários partidos nascidos no período pós-revolucionário, bem como de propaganda eleitoral relativa a vários escrutínios.

José Neves Águas nasceu em Lisboa a 2 de junho de 1920. Concluído o ensino secundário, exerceu atividade profissional como publicista e escritor, participando ativamente na vida partidária e sindical. De 1959 a 1960, em conjunto com João Canena, orientou no jornal República a página cultural Rota. Organizou e publicou, em 1963, o trabalho Bibliografia de Jaime Cortesão e a coleção dos Cadernos do Tempo Presente. Em 1967, deslocou-se ao Brasil, a convite do governo brasileiro, onde apresentou conferências sobre literatura contemporânea portuguesa. Colaborou em diversos jornais e revistas, nomeadamente no Diário de Lisboa, A Capital, Planície, Correio do Ribatejo e Diário de Coimbra. Os seus trabalhos incidiram, sobretudo a partir da Revolução de 1974, na temática da contestação manifestada pelos movimentos grevistas, tendo sido responsável pela produção de um vasto conjunto de cartazes e panfletos políticos.

O cartaz apresentado, de 1 de maio de 1986, em papel, com 42 x 30 cm, comemora o Dia do Trabalhador. Esta efeméride apenas voltou a ser comemorada livremente em Portugal a partir de maio de 1974, o ano da Revolução do 25 de Abril, em que passou a ser feriado.

Celebra igualmente os 100 anos de vida do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, fundado em 1886, constituído pelos trabalhadores nele filiados que exerçam atividade profissional na administração pública, local ou regional, nas empresas públicas ou concessionárias de serviços públicos, bem como os trabalhadores ao serviço de entidades gestoras de serviços, atividades e funções públicas, que forem objeto de privatização, qualquer que seja a sua relação jurídica de emprego. 

José Neves Águas faleceu em Lisboa em 1991, tendo os seus cartazes políticos sido o ponto de partida para a exposição o arquivo sai à rua, no âmbito das comemorações do 40.º aniversário do 25 de abril, em que de destacaram aspetos como a composição gráfica, a utilização de palavras de ordem, a exploração de diferentes técnicas e tendências estilísticas, com o intuito de despertar o interesse em relação à produção gráfica elaborada para a divulgação de comemorações, concertos e outros eventos que se organizaram depois da Revolução.

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Bibliografia:

CAMILO, Eduardo, O cartaz partidário em Portugal: 1974-1975. Covilhã: Universidade da Beira Interior. 2004.

CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do Design. São Paulo: Editora Edgard Blücher. 2004.

CÉSAR, Newton. Direção de Arte em Propaganda. São Paulo: Ed. Futura, 2001.

FAGUNDES, João. "Cartazes políticos contemporâneos: a coleção Neves Águas”. In AGENDA CULTURAL. Lisboa (Abr. 1994), p. 14.

ROSA, Pedro. O cartaz da propaganda do Estado Novo. Tese de Mestrado em Teorias da Arte. Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. 2000.


SANTOS, Margarida. O grafismo dos cartazes político-partidários em Portugal: 1969-1980. Tese de Mestrado em Design. Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa. 2006.



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