Maio 2016

 
 
 
 
Portugal na I Guerra Mundial







Descrição: Preparação do Corpo Expedicionário Português, exercícios de Cavalaria - Tancos
Data: 1916
Código de referência: PT/AMLSB/EFC/001491



No ano 2016 assinalam-se 100 anos da entrada formal de Portugal na I Guerra Mundial (1914-1918). Para evocar esta efeméride o Arquivo Municipal de Lisboa destaca de entre o conjunto de fotografias relacionadas com o envolvimento do país neste conflito, existente no seu espólio, uma fotografia da autoria de Joshua Benoliel (1873-1932) sobre o treino das tropas portuguesas que foram enviadas para combater em França.

Depois da Alemanha ter declarado guerra a Portugal, em 9 de março de 1916, na sequência da detenção de todos os navios alemães em portos portugueses, em 23 de fevereiro, pelo Governo português a pedido da Inglaterra, foi necessário proceder-se à rápida mobilização e preparação dum corpo militar.

Esta imagem mostra um aspeto dos treinos das tropas portuguesas em Tancos, as quais, apesar das dificuldades na sua preparação, na disponibilidade de solípedes e na capacidade militar em armamento e munições, foram submetidas a uma intensiva instrução, conseguindo, em agosto de 1916, estarem prontas para a guerra na europa.

Entre Mafra, Tancos e Torres Novas, Tancos foi o local escolhido para a instrução militar devido à existência de instalações, ao abastecimento de água proporcionado pela proximidade dos rios Zêzere e Tejo e à proximidade da estação ferroviária do Entroncamento. Porém, estes fatores não tinham capacidade para dar resposta às necessidades de cerca de 20 000 mil homens acantonados, provenientes de três divisões do Exército sediadas em Tomar, Coimbra e Viseu, tendo-se deparado com vários problemas, tais como o insuficiente abastecimento de água potável para o elevado número de homens, deficiente construção de tendas para os acomodar e falta de capacidade de produção do Arsenal do Exército e do Depósito Central de Fardamento.
No entanto, esta primeira fase de treinos, pela celeridade na preparação dos homens, foi designada pela imprensa da época de "milagre de Tancos”.

O primeiro contingente militar do Corpo Expedicionário Português, composto por 1551 oficiais e por 38034 sargentos e praças, sob comando do general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva (1856-1924) e tendo como comandante da 1ª Divisão o general Gomes da Costa (1863-1929), partiu para a Flandres em 26 de janeiro de 1917 com a seguinte constituição: 1 quartel-general; 3 brigadas de infantaria (18 batalhões); 4 grupos de metralhadoras (64 metralhadoras); 4 grupos de 3 baterias de tiro tenso (12 baterias); 3 grupos de baterias de tiro curvo (6 baterias); 4 companhias de sapadores-mineiros; 1 grupo de dois esquadrões de cavalaria; serviços de engenharia, artilharia, saúde, veterinária e administrativos.

Entre janeiro e setembro de 1917, o C.E.P. foi sucessivamente transportado para França por via marítima, desembarcado no porto de Brest e transportado em comboio até às proximidades da linha da frente. Depois de ai se encontrarem, as tropas portuguesas necessitaram de um período de adaptação sendo submetidas a preparação em escolas inglesas e portuguesas criadas para o efeito e a estágios na frente junto de unidades inglesas. Por fim, foi-lhes atribuído um setor na frente, situado na Flandres francesa, em frente da cidade de Lille, entre Armentières e Béthune.

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Leia mais sobre este assunto:

AFONSO, Aniceto - Guerra 1914-1918: [Angola, Moçambique e Flandres] Matosinhos : QuidNovi, 2006.

MARQUES, Isabel Pestana – 1914-1918: comportamentos de guerra. In Nova história militar de Portugal. Rio de Mouro: Círculo de Leitores, imp. 2003. Vol. 5.


RAMOS, Rui – A Segunda Fundação (1890-1926). In História de Portugal. [Lisboa]: Círculo de Leitores, imp. 1992-imp. 1994. Vol. 6

TEIXEIRA, Nuno Severiano – Portugal e a grande guerra. In Nova história militar de Portugal. Rio de Mouro: Círculo de Leitores, imp. 2003. Vol. 4.


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