Maio 2019

 
 
 
 
125 anos do Teatro Municipal São Luiz: uma instituição, várias identidades





Código de referência: PT/AMLSB/CMLSBAH/FNAJ/001/000876/001
Data: 1971-06-05
Título: Escritura de compra do Teatro Municipal São Luiz

No mês em que se assinala o 125º aniversário da inauguração de uma das casas de espetáculo mais emblemáticas da Capital portuguesa, o Arquivo Municipal de Lisboa divulga o documento que legitimou a sua atual identidade: Teatro Municipal São Luiz.

Conforme se lê na escritura de compra, em destaque, este teatro, inicialmente de caráter privado, foi comprado pela Câmara Municipal de Lisboa à sociedade anónima de responsabilidade limitada, "A. Ramos - Sociedade Cinematográfica e Teatral”, em 6 de maio de 1971, pelo valor de trinta e nove milhões de escudos (10.316.202,10€ - valor atualizado de acordo com índice 2018). A edilidade lisboeta concretizava assim o desejo de adquirir uma sala de espetáculos própria:
"Era assim muito velha a aspiração comum de um Teatro Municipal na cidade de Lisboa, mas era também necessidade da Câmara possuir uma sala condigna que pudesse servir múltiplas iniciativas ou ideias, tantas vezes abandonadas por carência de local apropriado.” 1

Apesar desta transição de entidade particular para entidade pública, contam-se várias fases na história do Teatro Municipal São Luiz, algumas marcadas com a alteração da sua denominação ditada pela conjuntura de cada época.

Resultante da ideia de Guilherme da Silveira que, juntamente com o Visconde S. Luiz de Braga, António Ramos Celestino da Silva, Alfredo Miranda e Alfredo Waddington, formaram uma sociedade para a sua construção, o teatro foi edificado na rua António Maria Cardoso em terrenos comprados à Casa de Bragança e inaugurado em 22 de maio de 1894 como Teatro Dona Amélia, cuja designação surge em homenagem à então rainha consorte.

Com a implantação da república, Portugal tomava outro rumo e, consequentemente, a nova ideologia política impunha alterações de forma a poder afirmar-se. Assim, em 1910, o Dona Amélia passou a chamar-se Teatro da República, designação que durou poucos anos.
Na noite de 13 de setembro de 1914, o teatro era sujeito à maior adversidade da sua história. Um incêndio devastou o edifício quase na totalidade, tendo abalado especialmente o seu sócio mais dedicado, como afirmou Augusto Castro: "No dia seguinte ao do incêndio, que reduzira a um montão de destroços a mais linda casa de espectáculos da capital, S. Luiz [de] Braga caíra, fulminado, como se toda a sua vida tivesse ardido também com o edifício de que fizera o seu lar e a razão da sua própria existência.”2 Apesar dos avultados estragos, o República era reinaugurado em 1916, após a sua reconstrução por determinação e investimento de António Ramos. Mas se o seu brilho anterior ressuscitava num espaço melhor e mais moderno, o grande entusiasta da Casa pouco tempo teve para usufruir. O Visconde São Luiz de Braga viria a falecer em 13 de março de 1918 e, em sua homenagem, a nobre casa de espetáculos da capital era batizada de Teatro São Luiz.

Nos anos vinte do século XX, a arte cinematográfica começava a introduzir-se como nova oferta cultural no seio da sociedade portuguesa. Atento a esta oportunidade e aproveitando as características do seu espaço, em 1928, após ter construído uma cabine cinematográfica na plateia. "…o São Luiz trouxe depois, em todo o seu fulgor, a nova Arte, que havia de maravilhar as multidões. E soube manter no Cinema a altura que conquistou no Teatro, na evolução ditada pela própria marcha do tempo. Porque para uma casa de espectáculos parar é morrer”. 3 Surgia assim o São Luiz Cine.

Com esta adaptação e algumas obras de melhoramento ao longo dos anos, o Teatro Municipal São Luiz revela-se versátil na programação apresentada, conforme se constata na análise aos programas existentes no acervo Teatro Municipal São Luiz à guarda do Arquivo Municipal de Lisboa. De entre os espetáculos exibidos elenca-se cinema, teatro, teatro infantil, ballet, concertos musicais, sessões político-culturais, reuniões e assembleias de trabalho, entre outros.
Atualmente, como se lê no 3.º suplemento ao Boletim Municipal nº 777 de janeiro de 2008, o Teatro Municipal São Luiz está sob uma nova dinâmica administrativa pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, E.E.M. – EGEAC.

O documento apresentado, e outros que contribuem para o estudo da história do Teatro Municipal São Luiz, podem ser consultados na base de dados disponível on-line, tais como o processo de obra, que inclui o projeto do edifício e as diversas intervenções a que foi sujeito, fotografias de espetáculos e atores, partituras, material de áudio e documentação administrativa diversa.



1 Teatro Municipal de Lisboa. Revista Municipal. Lisboa: CML. XXXIII,  130/131 (3º e 4º trim. 1971) p. 57-29.

CASTRO, Augusto - Evocação de uma época. In As Bodas de Ouro do São Luiz. Lisboa: Editorial Átiva, 1995. p. 11-17.

RAMOS, João Ortigão – Palavras de João Ortigão Ramos no Acto Inaugural do Salão de Festas. In As Bodas de Ouro do São Luiz. Lisboa: Editorial Átiva, 1995. p. 7-9.
 


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