Março 2019

 
 
 


Deliberação da Reunião da Câmara de 13 de fevereiro de 1871




Código de referência: PT/AMLSB/CMLSBAH/CHC/01/0145/0001
Data: 13-02-1871
Título: [Sessão de 13 de fevereiro]

No mês em que o Arquivo Fotográfico celebra 25 anos de permanência na Rua da Palma, o documento que destacamos é a deliberação camarária de 13 de fevereiro de 1871, na qual se determina que a "Câmara mande photographar todos os edifícios antigos que seus proprietários pretendem demolir e possam inspirar qualquer interesse archeológico e bem assim todos os locaes que tenham de sofrer transformações importantes.  Em Câmara, aos 13 de fevereiro de 1871 – Assignados Anselmo Ferreira Pinto Basto - Conde de Rio Maior, António – Dr. Joaquim José Alves – Dr Manuel Thomaz Lisboa. - Aprovada”  1

Desta deliberação resultou um conjunto de outras ações que conduziram à constituição do Arquivo Fotográfico Municipal. De facto, em 7 de outubro de 1898, José Cândido de Assumpção e Sousa e Artur Júlio Machado, desenhadores na recém criada Repartição de Obras da CML, submetem à Câmara Municipal de Lisboa um requerimento, onde propõem que sejam fotografados os prédios da cidade (…) produzindo, assim, um "levantamento, de carácter estatístico, que servisse, simultaneamente, de registo e complemento ao índice de prédios da capital existente nesta câmara”.  2

Esta proposta é aprovada em 22 de outubro desse ano, pelo arquiteto José Luís Monteiro, chefe da 1ª Repartição do Serviço de Obras, que considera o projeto de enorme valor para a cidade e até com um atraso de aproximadamente vinte anos, devendo por isso, no seu entender, serem fotografados todos os prédios, expropriados ou particulares, cuja demolição fosse eminente e que assim se aprovasse "nos termos das informações, não se excedendo as respectivas verbas orçamentais”. 3

Na semana seguinte, em 28 de outubro de 1898, Eduardo Freire de Oliveira, chefe do Serviço Central da 3ª Secção (archivo) ratifica este despacho no sentido da Câmara Municipal de Lisboa adquirir "um álbum do género” e finalmente a 24 de novembro desse ano, esta deliberação é aprovada expressando-se a intenção "(…) de se fazer assignatura dos elementos de estatística que largamente mencionam n’uma exposição junta ao seu requerimento, e nas condições ali exaradas” 4 


Sessão de 13 de fevereiro de 1871; Código de referência: PT/AMLSB/CMLSBAH/CHC/01/0145/0001 Sessão de 13 de fevereiro de 1871; Código de referência: PT/AMLSB/CMLSBAH/CHC/01/0145/0001
O levantamento fotográfico realizou-se entre 1898 e 1912 pela firma Machado & Souza, dando-se assim continuidade a um registo, iniciado e não concluído, como mencionam os dois autores. 
Nos anos subsequentes, a produção fotográfica vai sendo esporádica e pouco sistematizada. Entraram neste período alguns conjuntos fotográficos, porém desconhece-se, em muitos casos, o seu contexto de produção.
Assim, e consciente da necessidade de existir uma secção de fotografia na Câmara, na sessão de Câmara de 30 de agosto de 1900, o vereador José Inácio Dinis da Silva propõe que essa secção seja criada dentro do Serviço Geral de Obras. Esta proposta é aprovada por unanimidade na sessão de 20 de setembro do mesmo ano. 5

Até à década de 40 do século XX, os registos sobre o movimento desta secção de fotografia na Câmara de Lisboa são parcos. No entanto, em 1942, por proposta de Mário Tavares Chicó, conservador do Museu da Cidade, é oficialmente criado o Arquivo Fotográfico. Esta proposta é publicada no Diário Municipal, de 25 de março de 1942.6  O Arquivo começa a funcionar numa sala do Museu da Cidade, instalado à época no Palácio Galveias, tendo-se reunido toda a produção fotográfica dispersa pelos vários serviços da autarquia. A partir desta data a coleção vai aumentando através de doações, compra, leilões, além da incorporação das imagens provenientes dos serviços municipais. 

Nos anos 80 o Arquivo Fotográfico muda de casa, do Palácio Galveias para o Palácio da Rosa, com condições ambientais nada adequadas às fotografias. Já no Palácio da Rosa começa a funcionar o serviço de atendimento ao público.

Em 1990, com o acervo fotográfico a apresentar muitos problemas de conservação, inicia-se finalmente o processo de reestruturação e modernização deste serviço, que vai culminar com a instalação do Arquivo Fotográfico no número 246 da rua da Palma. O antigo edifício da fábrica de conservas Ginemez Salinas & Companhia, é adaptado à sua nova função e passa a contar com uma moderna sala de leitura, duas salas de exposições, áreas técnicas para digitalização, gabinete de conservação, laboratórios e depósitos climatizados. 
Nesta sequência, a 22 de março de 1994, são inauguradas as instalações que, desde então, albergam o primeiro Arquivo Fotográfico em Portugal, orientado para a conservação e preservação da fotografia. Um local de excelência e uma referência para investigadores, munícipes e amantes da fotografia. 

Encontre este documento na sala de leitura da base de dados do Arquivo, utilizando a expressão de pesquisa "Sessão de 13 de fevereiro".

1  Sessão de 25 de janeiro de 1871. Publicado em: Atas das Sessões da Câmara Municipal de Lisboa, 2ª série, nº 25, janeiro de 1871, p. 829.

2  AML, Requerimento de José Cândido de Assunção Sousa e Artur Machado propondo a Câmara Municipal de Lisboa fotografar os prédios da cidade, 1898, f. 1-6, PT/AMLSB/CMLSB/AGER-E/23/1763.

3   Sessão de 24 de novembro de 1898. Publicado em: Atas das Sessões da Câmara Municipal de Lisboa, p. 497. 

4   Sessão de 24 de novembro de 1898. Publicado em: Atas das Sessões da Câmara Municipal de Lisboa, p. 497. 

5  LISBOA. Câmara Municipal - Actas das sessões da Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa: Imprensa de Libanio da Silva, 1900. p. 404, 430-431.


Diário Municipal, 25 de março de 1942.

AGENDA