Novembro 2015

 
 
 
 
 Projeto de Modificação da rua do Arsenal

Projeto de modificação da rua do Arsenal, Lisboa
(escala1:100)

Data: 1912
Código de referência: PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00132

No plano de reconstrução da baixa lisboeta após o terramoto de 1755, o problema da circulação entre a praça do Comércio e o largo do Corpo Santo parecia estar definitivamente resolvido com a artéria de largas dimensões então construída, a qual recebeu o nome de rua do Arsenal, por influência do Arsenal da Marinha que aí funcionou desde 1759 até 1939.

Mais de um século depois, o forte crescimento comercial desta zona levou ao aumento de circulação de peões e mercadorias e as dimensões da rua começaram a tornar-se exíguas. A rua do Arsenal era uma artéria abastecedora da baixa pombalina destacando-se tradicionalmente as lojas de venda de bacalhau a retalho. Os comerciantes de secos e molhados começaram a instalar-se nesta rua durante os finais do século XIX, pois a estrutura social da baixa apelava a que ali se centralizasse todo o comércio de víveres.

Dos vários projetos para a requalificação do espaço pedonal para esta artéria, merece destaque uma proposta apresentada pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Augusto Franco, Conde do Restelo, em sessão camarária de 5 de junho de 1893, que propõe o alargamento da zona pedonal, passando pela construção de uma arcada na extensão do largo do Corpo Santo até à praça do Município. Recomendava também um pedido oficial ao Ministério da Marinha para que cedesse uma tira de terreno na rua do Arsenal. A proposta foi aprovada.
No entanto, só no início do século XX, viria a ser materializada em projeto pelo arquiteto Miguel Ventura Terra que regressara a Portugal em 1896 depois de se ter formado em Paris.

Em 1908, Ventura Terra foi eleito vereador na Câmara Municipal de Lisboa, onde permaneceu durante a primeira vereação republicana da edilidade lisboeta, até 1913. Enquanto vereador republicano, o arquiteto Ventura Terra fez inúmeras propostas de melhoramentos urbanos para a cidade. É da sua autoria o projeto de melhoramentos da zona ribeirinha propondo que a linha férrea terminasse em Santos, tornando possível transformar o espaço entre o Cais do Sodré e Santos numa zona de lazer.

A proposta de alargamento da rua do Arsenal é retomada, e Miguel Ventura Terra vai passar da ideia ao papel desenhando uma galeria para esta rua que se prolongaria entre o largo do Corpo Santo e a praça do Município.

A referida galeria de grandes dimensões abrangia as lojas e os primeiros andares dos prédios dos quarteirões do lado Norte da rua do Arsenal até ao piso do segundo andar, suportados por pilares que terminavam em grandes arcos de volta perfeita. Contudo este projeto nunca foi executado.



Bibliografia:

ATAS DE SECÇÕES DA COMISSÃO MUNICIPAL DO ANO DE 1893 SECÇÃO DE 5 DE JUNHO DE 1893. Lisboa: Imprensa Tipográfica, 1893.

FRANÇA, José Augusto – De Pombal ao Fontismo; Urbanismo e Sociedade. In MOITA, Irisalva (coord.) - O livro de Lisboa. Lisboa: Livros Horizonte, 1994. p. 363-388.

LISBOA. Câmara Municipal. Arquivo Municipal - A evolução municipal de Lisboa : pelouros e vereações. Lisboa: Câmara Municipal, 1996.


REIS, António Estácio dos – Dicionário da História de Lisboa. In SANTANA, Francisco (dir.),

SUCENA, Eduardo - Arsenal da Marinha. Direção e e Lda. Sacavém: QUINTAS, Carlos e Associados, 1994. p. 94.

RUFINO, Maria de Lourdes; RIBEIRO Aurora Silva; Raquel Henriques da– Miguel Ventura Terra: arquitetura enquanto projeto de vida. Esposende: Câmara Municipal, 2006

SILVA, Augusto Vieira – Dispersos. Lisboa: Publicações culturais da Câmara Municipal de Lisboa, 1968. vol. 1.



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