Setembro 2014

 
 
 
Cartulário Pombalino

Descrição: Prospecto das propriedades da Rua do Princepe que discorre desde a Inquisição até o Passeyo Publico.

Data: [177?]

Código de referência: PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/01/026


Este alçado é um projeto para parte da atual rua Primeiro de Dezembro, entre teatro D. Maria II e a praça dos Restauradores. Desenho a tinta-da-china e aguarela assinado pelo Marquês de Pombal.

No dia 1 de novembro de 1755, a cidade de Lisboa foi assolada por um violento terramoto, seguido de um maremoto e um grande incêndio. A cidade ficou destruída instalando-se o caos. Imediatamente começaram a ser tomadas providências por parte do poder central, através de Sebastião José de Carvalho e Melo, responsável pela Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra desde 1750.
Logo no mês de novembro apareceram os primeiros documentos oficiais que denunciam as preocupações relativas à reconstrução da cidade. Assim, o Marquês de Pombal procurou dar um novo perfil à cidade. 
Em Maio de 1756, o Marquês de Pombal foi nomeado para a Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, e encarregou certos especialistas para procederem a todos os estudos necessários para a realização de uma proposta programática de urbanismo e arquitetura, visando impedir a construção espontânea e controlar todos os pormenores da reconstrução.
Nasce, então, o gabinete de trabalho que ficou conhecido como a Casa do Risco das Obras Públicas, constituído por uma equipa de competentes arquitetos e engenheiros, quase todos com formação militar, dos quais se destacam Eugénio dos Santos e Carvalho, Carlos Mardel, Miguel Ângelo Blasco, José Monteiro de Carvalho, Mateus Vicente, Gualter da Fonseca, Francisco Pinheiro da Cunha, Elias Sebastião Poppe e António Carlos Andreas. O coordenador desta equipa foi Manuel da Maia, ocupando o cargo de engenheiro-mor do Reino, até à sua morte em 1768.

Entre dezembro de 1755 e abril de 1756, sob a coordenação de Manuel da Maia a equipa da casa do Risco apresentou os resultados do seu trabalho: o levantamento das zonas destruídas e as propostas de reconstrução, que vão desde a edificação fiel do arruinado até à construção de uma cidade inteiramente nova.
Marquês de Pombal acaba por aprovar um projeto da autoria de Eugénio dos Santos, de entre todos que tinham sido produzidos pela equipa coordenada por Manuel da Maia. 

Lisboa seria reconstruída nas zonas mais arruinadas, nomeadamente a parte central da cidade, a Baixa contemplando as zonas de S. Paulo, a encosta de S. Francisco e a atual área do Chiado. 
Com a morte de Eugénio dos Santos, o projeto viria a sofrer alterações feitas pelo arquiteto do Senado, Carlos Mardel. 
O programa de reconstrução foi possível devido à boa colaboração entre o poder central e o local. 

O Arquivo Municipal de Lisboa conserva um espólio documental sobre o programa de reconstrução pombalino. Nesse conjunto de documentação destaca-se um grupo de 70 alçados para a reedificação de Lisboa segundo o programa imposto por Sebastião José Carvalho e Melo conhecido como Cartulário Pombalino. Os alçados são todos originais, à exceção de um que é uma cópia autenticada pelo arquiteto Malaquias Ferreira Leal, em 1846. Os desenhos referem-se às fachadas dos prédios de rendimento a distribuir ao longo das ruas a reconstruir. Este modelo apresentava edifícios de quatro pisos: loja, andar com varandas, andares com janelas de peito e águas furtadas.

Encontre outros documentos na base de dados do Arquivo utilizando as palavras-chave de pesquisa: cartulário, pombalino, reconstrução, Lisboa, terramoto, marquês, Pombal.



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