Setembro 2019

 
 
 

JUDAH BENOLIEL - PANORÂMICAS DE LISBOA

Praça do Comércio. Vista Sul, [década de 1940] | Código de referência: PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/003648


Código de referência: PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/003648

Data: [década de 1940]
Título: Praça do Comércio. Vista Sul

A cidade de Lisboa, repleta de turistas e visitantes, é um palco pulsante para o registo de fotografias, presenteada pela luz refletida do rio Tejo, que a envolve e distingue, e pelo traçado da Baixa Pombalina que a engrandece. Entre as colinas e o rio, a cidade foi sempre fotografada desde a invenção da fotografia aos nossos dias, por profissionais estrangeiros e nacionais, e são muitos os registos, nos séculos XIX e XX, que acompanharam as efemérides, as transformações urbanísticas e o crescimento da cidade.

Dos vários testemunhos representados no acervo do Arquivo Municipal de Lisboa/Fotográfico, destaca-se Judah Benoliel (1890-1968), repórter fotográfico no "Diário Popular”, de 1942 a 1968, com imagens numa coleção associada a um conjunto fotográfico do seu pai, Joshua Benoliel (1873-1932). As fotografias foram incorporadas na Instituição através de vendas parcelares, de 1943 a 1964, feitas pelo próprio à Câmara Municipal de Lisboa.

Apesar de se ter dedicado à fotografia, exposto os seus trabalhos e publicado as suas imagens, Judah Benoliel ficou sempre na sombra do seu pai, considerado o primeiro repórter fotográfico português, tendo sido muitas vezes confundido com o progenitor.

As fotografias de Judah, em oposição ao legado paterno que representa maioritariamente a vida quotidiana e os acontecimentos, ilustram mais o espaço urbano de Lisboa, as vias em construção, as zonas habitacionais, as demolições e as inundações, em especial das décadas de 1940 a 1960. A partir de pontos de vista elevados, vistas aéreas e imagens panorâmicas, o seu olhar é inovador e contemporâneo.

A presença das pessoas é pouco sentida, mas os edifícios e as construções retratam bem um período de grandes mudanças em Lisboa numa tentativa de reorganizar a afluência de habitantes que se acomodavam em zonas degradadas.

Das muitas imagens da cidade de Lisboa, de demolições, construções e transformações urbanísticas, destaca-se um conjunto de fotografias panorâmicas habilmente executadas, de formato 6x18 cm, em suporte de nitrato de celulose, gelatina e prata.

O registo fotográfico deste tipo de imagem, apesar da dificuldade técnica da exposição da película fotográfica, que apresenta as zonas laterais da imagem com ligeiras imprecisões, aproxima-se mais ao modo como olhamos a paisagem e representa melhor as vistas sobre a cidade.

As panorâmicas são assim imagens mais luminosas e prendem o olhar contemplativo que se demora nos pormenores. O recorte do casario, a grandiosidade dos edifícios emblemáticos da cidade, a escassa presença de automóveis e a reduzida escala de quem passa num aparente ritmo lento, criam o cenário urbano de uma cidade esquecida. Este tipo de fotografia adequa-se ao registo da cidade e amplia a vista sobre a sua morfologia, contemplando igualmente o recorte das formas.

As fotografias de Judah Benoliel revelam uma cidade de Lisboa despojada e tranquila, vivida sem pressas.

Encontre este e outros documentos na base de dados do Arquivo, utilizando as palavras-chave de pesquisa: "Judah Benoliel " e "Panorâmica".




LISBOAPHOTO, Lisboa, 2005 - Joshua Benoliel 1873-1932: repórter fotográfico. coord. Emília Tavares. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 2005.

SENA, António - História da Imagem Fotográfica em Portugal 1839-1997. Porto: Porto Editora, 1998.




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