Historiografia do documento

 
 
 
Selo




Historiografia do documento



Não chegou à atualidade a primeira carta de foral dada a Lisboa por D. Afonso Henriques em 1179.
O traslado mais antigo que se conhece, e que aqui se apresenta, integrava o Livro 1.º de Místicos de Reis, documento n.º 3.
Neste documento transcreve-se o foral afonsino e sua confirmação por D. Sancho I, em 1204, e D. Afonso II, em 1214.

Escrito em letra gótica, a preto, com as duas primeiras iniciais a vermelho, e todas as restantes a preto realçadas vermelho. Em ambas as margens, encontram-se notas a vermelho. O foral, a confirmação de D. Sancho I e o nome dos confirmantes não eclesiásticos encontram-se escritos numa tinta mais escura que o resto do documento.
A existência de três furos na margem inferior, fazem supor a existência de um selo pendente.

Datado de 12 de abril de 1361, chegou até nós um traslado em pública-forma e tradução do latim, do foral de 1179 e confirmações de D. Sancho I e de D. Afonso II, elaborado pelo tabelião  Lopo Gil (Livro 1.º de Místicos de Reis, documento n.º 2)

Menciona o tabelião no início do traslado referindo-se ao documento que aqui apresentamos:

Primeiro foral dado a esta çidade

Em nome de Deus Amem. Saibham quantos este stromento virem como na Era de mill e trezentos e noventa e nove anos scilicet doze dias do mes d´Abrill sob o anno da nacença de Nosso Senhor Jesus Cristo de mill e trezentos e sassenta e huum anos na nobre cidade de Lixboa na camara do paaço do comcelho hu se de costume sooe de fazer a rolaçom e a vereaçom da dicta çidade per dante Joham Martinz de Barbudo scudeiro alvzil geeral na dicta cidade sendo no dicto logo em presença de mym Lopo Gill tabaliam d´el rey em essa meesma çidade e das testemunhas que adeante som scriptas perante o dicto alvazill pareçeo Lourenço Maça cidadãao vezinho e morador da dicta cidade e procurador que ora he do concelho dessa meesma e amostrou e apresentou perante o dicto alvazill a carta do foro da dicta cidade de Lixboa a qual era e he scripta per latim en pulgaminho e pareçiia que fora seelada em pendente d´huum seelo de chunbo de signaaes de quinas em corda preta e pedio ao dicto alvazill em nome do dicto comcelho come seu procurador que he que porque compria e fazia mester que a dicta carta do dicto foro s[te]vesse d´assessego em huum lugar e mais perfectamente seer guardada porque tragendo-sse per as mãaos poder-ss´iia tostemente dapneficar e perder per algũa guisa que porem mandasse a mym dicto tabaliom dando-me sobr´ello sua autoridade hordenaria que tornasse a dicta carta do dicto foro em linguagem e que do theor della asi scripto per linguagem lhe desse ende huum pubrico stormento ou mais se lhe comprisem pera o regimento da dicta cidade. E o dicto alvazil veendo que o dicto Lourenço Maça lhe pedia o direito e cousa aguisada mandou a mym dicto tabaliam e deu sobr´ello autoridade hordenaria convem a saber que eu tornasse e traladasse a dicta carta de foro suso dicta em linguagem e que do thor della desse em pubrica forma sob meu signal ao dicto Lourenço Maça pera o dicto concelho huum pubrico stormento ou mais se comprisse.


Transcrito a partir da cópia integrada no Livro dos Pregos, documento n.º 9. f. 27.

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