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Lanterna mágica

Data: 2021-02-26


O Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico foi criado em 1942 com o objetivo de reunir todo o material fotográfico produzido sobre a cidade. Mais tarde, em 1994, é inaugurado um novo espaço a fim de acolher todas as coleções de fotografia em condições adequadas à sua conservação e acondicionamento.

Com a transferência para o novo edifício na rua da Palma, o Arquivo Fotográfico passa a ter a possibilidade de receber público em duas salas de exposição e ainda a de poder receber professores, estudantes e outros estudiosos em sala de leitura com biblioteca especializada em fotografia.

O Arquivo Fotográfico, como unidade do Arquivo Municipal de Lisboa, tem como missão recolher, tratar e acondicionar as imagens/documentos de vários autores. Do seu acervo fazem também parte algumas máquinas e instrumentos óticos importantes na história da fotografia e do cinema.

A Lanterna Mágica é um desses instrumentos que ainda hoje nos fascina. Apesar de não se saber ao certo a data de criação, sabe-se que foi inventada no séc. XVII. A sua primeira descrição é feita pelo astrónomo Holandês Chistiaan Huygens, em 1659.
A partir daí foi utilizada por muitos em áreas tão diferenciadas como a ciência, a pedagogia e o entretenimento, dando origem a uma nova profissão, o lanternista ambulante que andava de sala em sala a projetar imagens.

Não se sabe a data em que a Lanterna Mágica chegou a Portugal, mas sabe-se que a 22 de abril de 1800 houve em Lisboa um espetáculo público de Lanterna Mágica nos festejos de rua, pelo nascimento da Infanta Maria Francisca, filha do rei D. João VI e da rainha D. Carlota Joaquina.
Devido ao grande interesse e fascínio por este espetáculo, a partir da segunda metade do séc. XIX a produção em massa da Lanterna Mágica permitiu que a projeção de imagens pudesse ser realizada em todas as casas.

As lanternas eram vendidas dentro de caixas de madeira ou papelão com conjuntos de vidros coloridos pintados com tintas translúcidas. Os conjuntos podiam ser simples, compostos por dois ou mais vidros ou com mecanismos que criavam movimento e efeitos assombrosos.
Os serões eram passados em família a ver estas projeções.

A Lanterna Mágica é composta por uma fonte de luz (uma vela, um candeeiro a petróleo ou mais recentemente uma lâmpada elétrica), um refletor, um condensador e uma objetiva. A luz é potencializada pelo refletor (espelho) que passa pelas lentes de condensação e pelo vidro pintado. A imagem é projetada na parede ou num lençol através da objetiva que a aumenta e foca.

O Arquivo Fotográfico tem no seu acervo algumas Lanternas Mágicas de várias épocas. Esta é a mais antiga, Modelo Globo, produção Ernst Plank 1890/95. O conjunto é composto por uma caixa de madeira forrada, rótulo do fabricante e um conjunto de vidros coloridos com borda em papel.

Este instrumento ótico sucedeu à Câmara Escura e potencializou o aparecimento da fotografia e do pré-cinema. Este e outros instrumentos poderão ser vistos no Arquivo Fotográfico, na rua da Palma, 246.


Ana Rafael
com colaboração de Ana Loureiro (Serviço Educativo)
Arquivo Municipal de Lisboa




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