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Videoteca: 30 anos a registar as memórias da cidade

Data: 2022-01-03




Neste ano de 2022 a Videoteca Municipal de Lisboa celebra 30 anos. A recolha, a preservação e a valorização das memórias da cidade continuam de forma intensa a marcar a sua missão. 

Inaugurada a 2 de junho de 1992, a Videoteca Municipal foi pioneira na constituição da "memória viva da cidade”, capacitada de um núcleo de produção audiovisual desde a sua génese, produziu centenas de documentários e conteúdos audiovisuais relacionados com o património histórico e cultural de Lisboa. O registo da história oral, do património material e imaterial criou e alimentou um significativo arquivo audiovisual sobre a cidade. 

Facto igualmente determinante para o enriquecimento do seu acervo foi a organização de diversos ciclos, mostras e festivais de cinema e vídeo, que possibilitou a incorporação de diversas e importantes obras autorais.

Presentemente a Videoteca tem em curso três atividades que trabalham a memória da cidade e que integram o projeto "Memórias de Lisboa” da Direção Municipal de Cultura: "Sociedade Promotora de Educação Popular - (SPEP): Arquivo, História e Memória", "Traça – Mostra de Filmes de Arquivos" e "Encadernadores de Lisboa".

A Sociedade Promotora de Educação Popular - (SPEP): Arquivo, História e Memória

A Sociedade Promotora de Educação Popular – (SPEP) é uma sociedade de ensino fundada por republicanos a 30 de setembro de 1904, em Alcântara. Enquanto instituição de ensino foi responsável pela alfabetização de centenas de adultos e crianças, levou a instrução, a cultura e o lazer às classes mais desfavorecidas. O histórico edifício da sua sede no Largo do Calvário alberga igualmente a Videoteca Municipal que aí funciona deste a data de sua fundação em 1992.

Considerando a relevância histórica desta instituição, foi celebrado um acordo de parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa - Divisão de Arquivo Municipal e a SPEP. Este acordo permitiu o estudo e salvaguarda do acervo documental da instituição (importante fonte de informação histórica, política e cultural), bem como, a recolha de memórias através do registo de testemunhos orais. Para além da salvaguarda do acervo documental, o Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca realizará um documentário e uma exposição sobre esta instituição centenária.

Traça – Mostra de Filmes de Arquivos

Um dos principais objetivos da TRAÇA é recolher e recuperar os filmes privados dos habitantes de Lisboa para depois devolver à cidade as perspetivas novas que estes filmes abrem sobre a sua história. A recolha de filmes é permanente e a qualquer momento o munícipe poderá proceder à sua doação.

A TRAÇA desenvolve-se assim em proximidade com cada depositante, com quem se desenvolve diversas ações que procuram completar a informação sobre cada filme – desde logo, através de visionamentos comentados e do seu registo audiovisual. Por outro lado, a TRAÇA desenvolve-se em proximidade com a própria cidade: concentrando-se de cada vez num território diferente, as edições da TRAÇA fundam-se numa lógica de circulação e encontro.

A próxima edição ocorrerá em 2023, contudo no presente ano e face aos atuais constrangimentos à organização de sessões públicas, o projecto terá um enfoque na investigação dos filmes já recolhidos e na sua relação com a cidade. Pretende-se uma diversificação dos modos de exposição desta investigação (sempre) em curso. Deste modo, os resultados da investigação integrarão algumas ações anteriormente desenvolvidas nas edições da TRAÇA, como visionamentos comentados por convidados, reorganizações do arquivo por artistas ou pequenas montagens temáticas. Todo este trabalho estará disponível no sítio da Traça. 

Encadernadores de Lisboa

O Arquivo Municipal de Lisboa e o IELT – Instituto de Estudos de Literatura e Tradição da Universidade Nova de Lisboa / FCSH, estabeleceram uma parceria que tem por objetivo levar a cabo um estudo sobre os procedimentos técnicos de encadernação e ornamentação / douração do livro em Lisboa. Através deste estudo pretende-se identificar as oficinas e os artesãos que historicamente se dedicaram ao ofício na cidade, os artesãos que exercem atualmente a profissão, as técnicas que aplicam e como foram e são ensinadas. Todo este trabalho terá como finalidade a produção de um documentário de longa-metragem e a organização de uma exposição, ambos previstos para 2024. O universo do livro, com os seus produtores, artesãos, livreiros e alfarrabistas será deste modo alvo de uma abordagem fílmica e expositiva.

Entre 4 e 8 de maio deste ano, a segunda edição do 'Festival de Literatura de Lisboa 5 L', contará com a exibição de um segundo documentário, este de curta-metragem que revelará uma parte desta investigação. O documentário intitulado "Arte no Livro” apresentará a oficina de Andreia Tibério Santos e Fernando Pinheiro Santos, herdeiros do ofício do ilustre encadernador da rua da Rosa, Víctor Luiz dos Santos. O documentário para além de abordar a história desta importante oficina de encadernação de Lisboa revelará os processos mais emblemáticos desta arte.




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